Bolsonaro defende em discurso que G20 incentive produção de vacinas contra Covid

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Presidente Jair Bolsonaro posa para foto ao lado do premiê italiano, Mario Draghi, em Roma
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Por Eduardo Simões

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado em discurso durante encontro de cúpula do G20 em Roma que os países que compõem o bloco devem incentivar a produção de vacinas, medicamentos e tratamentos contra a Covid-19 nos países em desenvolvimento.

De acordo com transcrição do discurso de Bolsonaro, divulgada pela Presidência da República, ele destacou o avanço da vacinação contra a doença no Brasil na fala que fez a vários líderes mundiais.

"No Brasil, mais da metade da população nacional já está plenamente imunizada de forma voluntária. Mais de 94% da população adulta já recebeu pelo menos uma dose da vacina. Ao todo, aplicamos mais de 260 milhões de doses, das quais mais de 140 milhões foram produzidas em território nacional", disse Bolsonaro no discurso.

"Para o Brasil, os esforços do G20 deveriam concentrar-se no combate à atual pandemia, que continua a assolar muitos países. Entendemos, portanto, caber ao G20 esforços adicionais pela produção de vacinas, medicamentos e tratamentos nos países em desenvolvimento", acrescentou.

As declarações de Bolsonaro em um evento internacional contrastam fortemente com comentários feitos por ele no Brasil com frequência, questionando com argumentos equivocados a eficácia e até mesmo a segurança das vacinas contra Covid-19 e insistindo na promoção de medicamentos sabidamente ineficazes no tratamento da doença.

Além do discurso durante uma sessão sobre "Economia e Saúde Global", Bolsonaro também conversou com outros líderes mundiais.

Em vídeo divulgado por vários veículos de imprensa, o presidente aparece em uma roda com o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, o provável futuro chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, entre outros, e afirma que a economia brasileira está se recuperando com força e diz que a Petrobras é "um problema".

"(A situação do Brasil) está bem, a economia voltando bem forte, a mídia como sempre atacando. Estamos resistindo bem. Não é fácil ser chefe de Estado em qualquer lugar do mundo", afirmou.

"A Petrobras é um problema, mas nós estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande. Ela era até pouco tempo uma empresa de um partido político e a gente mudou isso", acrescentou.

Em determinado momento, Scholz vira de costas para Bolsonaro e começa a interagir com líderes que estavam em uma outra roda.

Indagado sobre as eleições presidenciais do ano que vem, Bolsonaro fez a avaliação de que está "muito bem" na disputa e disse aos interlocutores que tem um "apoio popular muito grande". Também exaltou o fato de ter um grande número de militares das Forças Armadas em seu ministério.

Apesar das declarações de Bolsonaro a outros líderes, instituições financeiras nos últimos dias têm reduzido suas estimativas para o crescimento econômico do Brasil neste ano e no próximo, em meio a temores de rompimento do arcabouço fiscal do país, após a proposta de contornar o teto de gastos para criar um auxílio social de 400 reais até o final de 2022.

Além disso, pesquisas de opinião têm mostrado o governo Bolsonaro com elevado índice de desaprovação e o presidente em um distante segundo lugar nas intenções de voto para o pleito do ano que vem, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bolsonaro também tem falado com frequência sobre sua intenção de privatizar a Petrobras e nesta semana chegou a afirmar que a estatal serve para lhe dar "dor de cabeça" e para prestar serviço a seus acionistas. A União é o maior acionista da Petrobras.

Os preços dos combustíveis, que têm sofrido sucessivos aumentos por decisão da Petrobras, têm sido um dos fatores a prejudicar a popularidade de Bolsonaro, assim como a inflação de outros produtos, como o gás de cozinha, a energia elétrica e gêneros alimentícios.

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