Bolsonaro defende evangélico que 'recite versículos bíblicos' na Ancine

Redação Notícias
Antonio Cruz/Agencia Brasil
Antonio Cruz/Agencia Brasil

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Bolsonaro tornou a demonstrar descontentamento com a gestão da agência ao comentar o afastamento de Christian de Castro da presidência da Ancine por decisão judicial.

  • Para o ex-capitão, o presidente da Ancine deveria ser um evangélico que conseguisse recitar de cor “200 versículos bíblicos”, que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a Bíblia debaixo do braço.

Semanas depois de anunciar que desejaria escolher para o STF (Supremo Tribunal Federal) um nome terrivelmente evangélico, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) agora afirma que quer alguém com um perfil parecido para o comando da Ancine (Agência Nacional do Cinema).

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a informação foi dada por Bolsonaro durante conversa de uma hora e meia com um grupo de jornalistas no Quartel-General do Exército, em Brasília, na tarde desse sábado (31).

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Bolsonaro tornou a demonstrar descontentamento com a gestão da agência ao comentar o afastamento de Christian de Castro da presidência da Ancine por decisão judicial. Ele sugeriu que Castro não teria o perfil que gostaria para o órgão.

Para o ex-capitão, o presidente da Ancine deveria ser um evangélico que conseguisse recitar de cor “200 versículos bíblicos”, que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a Bíblia debaixo do braço.

Nesta semana, Bolsonaro assinou decreto afastando Castro, cumprindo a decisão judicial baseada em ação do Ministério Público Federal. O órgão apura um suposto conluio entre o ex-dirigente, servidores e o atual secretário de Cultura e Economia Criativa do estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão.

Com a saída de Castro, quem assume a Ancine é Alex Braga.

De acordo com a investigação, Castro e outros dois servidores da Ancine, também afastados, teriam acessado o sistema eletrônico da agência para obter e repassar informações sigilosas a um sócio do ex-presidente afastado. Além disso, ela aponta que Sá Leitão e outras três pessoas teriam deixado de comunicar o ocorrido às autoridades, incidindo em prevaricação.

Agora, o governo Bolsonaro busca aumentar seu controle sobre a agência – recenetmentem, por exemplo, o presidente chegou a dizer que pretendia extinguir a agência caso não pudesse implantar um "filtro de conteúdo" —intenção que o setor encara como censura.