Bolsonaro deixa hospital nos EUA um dia após ser internado

Ex-presidente teria optado por deixar o hospital norte-americano por não querer confiar seu tratamento a médicos que não conhece

Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa no dia 26 de outubro de 2022 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa no dia 26 de outubro de 2022 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o hospital em que estava internado nesta terça (11), um dia após ser admitido por conta de uma obstrução intestinal em uma unidade hospitalar em um subúrbio de Orlando, nos Estados Unidos.

De acordo com a Reuters, Bolsonaro optou por deixar o hospital norte-americano por não querer confiar seu tratamento a médicos que não conhece. "Quer pessoas da confiança dele por perto", disse a fonte consultada pela agência de notícias.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Bolsonaro teria decidido deixar o hospital contrariando recomendações médicas. O colunista foi o primeiro a divulgar a alta médica de Bolsonaro.

Bolsonaro foi internado na última segunda (9), alegando dores intestinais. Pouco tempo depois, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro confirmou a internação do político nos Estados Unidos e disse estar "em oração" para que seu quadro evolua positivamente.

"Meus queridos, venho informar que o meu marido Jair Bolsonaro se encontra em observação no hospital, em razão de um desconforto abdominal em decorrência das sequelas da facada que ele levou em 2018", escreveu Michelle.

Bolsonaro já foi hospitalizado algumas vezes pelo mesmo motivo desde que foi vítima de uma facada durante a campanha eleitoral de 2018. Em 2022, o ex-presidente foi internado ao menos duas vezes pelo mesmo problema.

Internação após atos terroristas

A internação aconteceu um dia depois da invasão promovida pelos terroristas pró-Bolsonaro aos prédios do Congresso, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto. A tarde de caos em Brasília rendeu uma série de bolsonaristas presos e até o afastamento provisório de Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

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Após as imagens de depredação rodarem o mundo, a pressão de congressistas norte-americanos contra a presença de Bolsonaro no país aumentou consideravelmente. O ex-presidente está nos EUA desde o final de dezembro, quando deixou o país nos últimos dias de seu mandato. Nesta segunda-feira (09), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a volta de Bolsonaro ao Brasil para que ele "pague pelos seus crimes".

Bolsonaro pode ser responsabilizado por invasões no DF?

Apesar de não estar no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser responsabilizado pela invasão golpista no Distrito Federal caso surjam provas de que ele estava envolvido nas ações. Os atos de vandalismo aconteceram neste domingo (8).

Na ocasião, manifestantes que apoiam o ex-mandatário depredaram prédios dos Três Poderes, como Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a invasão, quebraram vidraças e móveis, vandalizaram obras de arte e objetos históricos, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram armas.

A responsabilização de Bolsonaro pode ocorrer se ficar comprovado que ele financiou, instigou ou orquestrou as ações. À Folha de S. Paulo, o professor do Insper, Diego Werneck, avalia que o político deveria ter sofrido impeachment por incitar as pessoas contra as instituições ao longo do mandato.

"Agora que saiu do cargo, os instrumentos e critérios para apurar responsabilidade são outros. No mínimo, se entendermos que o que ocorreu hoje em Brasília foi crime, seria necessário discutir a responsabilidade penal de Bolsonaro por ter incitado", disse ao portal.

Em janeiro de 2021, Bolsonaro afirmou que se o voto impresso não fosse introduzido em 2022, o Brasil teria “um problema pior que os Estados Unidos” - que na época teve o Congresso invadido por seguidores de Donald Trump. Essa parte da população, assim como ocorre com os bolsonaristas, estava insatisfeita com o resultado das eleições.

É por essa razão que o episódio de ontem vem sendo chamado de “Capitólio brasileiro” por parte da imprensa internacional, que ainda destaca que o ocorrido em Brasília foi muito pior do que o visto nos EUA.