PF aposta que Moro deixa o ministério se Bolsonaro rifar diretor-geral

Eraldo Peres/AP Photo

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Se Bolsonaro realmente demitir o diretor-geral do órgão, Maurício Valeixo, constrangimento ao ministro seria ainda maior.

  • Cúpula da PF está segura na posição, mesmo que o ex-juiz e agora ministro não defenda a PF.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, não tem condições de permanecer no cargo caso o presidente Jair Bolsonaro (PSL) saia da ameaça e de fato demita o diretor-geral do órgão, Maurício Valeixo. Esse é o entendimento da cúpula da PF, segundo informação da colunista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

SIGA O YAHOO NOTÍCIAS NO INSTAGRAM

De acordo com a colunista, a cúpula da corporação está segura na posição, mesmo que o ex-juiz e agora ministro não defenda a PF.

Leia também

Uma eventual saída do diretor-geral, entretanto, equivaleria a uma humilhação maior que a de outros constrangimentos que Bolsonaro tem imposto ao ministro.

Há cerca de duas semanas, por exemplo, Bolsonaro afirmara que “ficou sabendo” que quem assumirá a chefia da Polícia Federal no Rio de Janeiro será o chefe da PF no Amazonas, Alexandre Silva Saraiva, um dia depois de a PF divulgar que o superintendente da corporação em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira Sousa, é quem substituiria o chefe da PF no Rio, Ricardo Saadi.

“O que eu fiquei sabendo. Se ele resolver mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu… (Quero) deixar bem claro”, afirmou Bolsonaro. “Eu dou liberdade para os ministros todos. Mas quem manda sou eu”, reforçou. “Está pré-acertado que seria lá o de Manaus”, concluiu, sem detalhar nomes.

Carta branca a Moro em xeque

Nesse sábado (24), segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o presidente afirmou ter ingerência sobre todos os ministros, e, ao ser questionado se Moro tinha carta branca em seu governo, definiu: "Olha, carta branca. Eu tenho poder de veto em qualquer coisa, se não eu não sou presidente. Todos os ministros têm essa ingerência minha e eu fui eleito para mudar. Ponto final", declarou, deixando o Palácio da Alvorada.

O ex-capitão resumiu que não tem problemas com Moro, em meio a um enfraquecimento do ministro. "Não tenho problema nenhum com o Moro. Cada hora levantam uma coisa. Uma hora era Marcelo Álvaro Antonio [Turismo], o Onyx [Casa Civil] também", refutou.

Quando escolheu o ex-juiz da Lava Jato para sua equipe de ministros, porém, Bolsonaro garantira que Moro teria carta branca. A interferência recente na PF, entretanto, parece colocar em xeque a real autonomia do ex-juiz na condição de ministro. O vazamento de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, por meio do site The Intercept Brasil, indicando ilegalidades na conduta de Moro à frente da Operação Lava Jato, também contribuiu para arranhar a imagem do ministro.