Bolsonaro deve faltar e não enviar ministros à posse de Arce na Bolívia

RICARDO DELLA COLETTA
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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.10.2020 - Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acompanhado de ministros do seu governo, participa de cerimônia de Hasteamento da Bandeira, no Palácio da Alvorada, em Brasília  (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.10.2020 - Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acompanhado de ministros do seu governo, participa de cerimônia de Hasteamento da Bandeira, no Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não deve enviar nenhuma alta autoridade de Brasília para representá-lo na cerimônia de posse do novo presidente Boliviano, Luis Arce, prevista para o próximo domingo (8).

Segundo disseram à reportagem interlocutores no governo, o governo Bolsonaro estará representado pelo embaixador em La Paz, Octávio Côrtes, um nível de participação protocolar que contrasta com os demais vizinhos do país andino.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, deve comparecer ao ato, assim como o líder paraguaio Mario Abdo Benítez. Também é esperada a participação do Conselho de Ministros do Peru, Walter Martos, que ocupa um cargo equivalente à Casa Civil no Brasil.

Além do Brasil, o único vizinho da Bolívia que não será representado por seu presidente é o Chile, mas os dois países não mantêm relações diplomáticas. Mesmo assim o presidente chileno Sebastián Piñera escalou seu chanceler, Andrés Allamand, para representá-lo.

Bolsonaro também foi convidado pela chancelaria boliviana, mas a equipe de Arce, herdeiro político do ex-presidente Evo Morales, já contava com a ausência do brasileiro.

Isso porque Bolsonaro --que tem um histórico de manifestar sua preferência em eleições de outros países-- ficou contrariado com a volta da esquerda no país vizinho. Ele já havia faltado à cerimônia de inauguração do mandato de Fernández na Argentina, quando foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

A decisão de Bolsonaro de não ir à Bolívia para a solenidade e sequer enviar um representante de nível ministerial frustrou aliados de Arce, que viram no gesto mais um sinal de que o brasileiro não pretende reduzir o componente ideológico na relação com uma nação governada pela esquerda.

O governo brasileiro foi o último entre os países que fazem fronteira com a Bolívia a parabenizar Arce pela vitória eleitoral conquistada em 18 de outubro.

A equipe de Arce tenta não polarizar com o governo Bolsonaro, uma vez que a Bolívia tem uma alta dependência econômica com seu maior vizinho. O novo presidente boliviano tem como uma de suas prioridades tentar renegociar os termos de um acordo de venda de gás para o Brasil.

Os preparativos para a posse de Arce foram marcados por turbulência.

A atual presidente, Jeanine Añez, chamou para participar das festividades como representante da Venezuela o líder opositor Juan Guaidó, mas Arce estendeu o convite para o presidente Nicolás Maduro.

Uma vez no poder, Arce deve reverter a decisão de Añez de reconhecer Guaidó como o presidente legítimo venezuelano.

Além do mais, segundo o MAS (Movimento ao Socialismo), o presidente eleito foi alvo de um ataque com dinamites na noite desta quinta (5). A agremiação do presidente eleito disse que ele não ficou ferido.

A polícia boliviana diz que na verdade estouraram fogos de artifício no local.

Há ainda um cenário de protestos ocasionais contra Arce em Santa Cruz de la Sierra, um reduto da oposição ao MAS. Os manifestantes pedem auditoria das eleições e rejeitam uma decisão do Congresso para reduzir o quórum necessário para a votação de alguns projetos estratégicos.