Bolsonaro discursa em tom de campanha em promulgação da PEC Eleitoral no Congresso

O presidente Jair Bolsonaro adotou um tom de campanha durante discurso na sessão do Congresso Nacional que promulgou a proposta de emenda à Constituição (PEC) Eleitoral, que autoriza o governo a gastar R$ 41,2 bilhões para conceder benefícios a menos de três meses das eleições.

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Além de citar feitos de sua gestão - como a criação do Pronampe, Auxílio Emergencial e números de carteira assinada -, Bolsonaro acenou para grupos onde tem baixo desempenho nas pesquisas eleitorais e que são foco de atuação do seu núcleo duro de campanha: as mulheres e a população de baixa renda.

— Juntamente com o Parlamento, aprovamos o Auxílio Emergencial. Auxílio esse que atendeu no final das contas a 68 milhões de pessoas. O gasto em 2020 equivaleu a 15 anos de Bolsa Família. É um governo que juntamente com o parlamento brasileiro teve olhar todo especial para esses mais vulneráveis.

Ao citar o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, autorizado pela PEC promulgada nesta quinta-feira até 31 de dezembro, ele ressaltou que a maior parte dos beneficiários é de mulheres, em um aceno ao grupo onde tem rejeição de 61%, segundo o Datafolha, o que alerta a campanha.

-- Esses recursos vão diretamente no bolso na conta dos beneficiários. São 18 milhões de famílias no Auxílio Brasil. E deixo claro, um pouco mais de 2/3, em torno de 14 milhões, são mulheres. Então o nosso olhar também para as mulheres do Brasil.

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Ele seguiu, afirmando que o governo tem um "olhar especial" para as mulheres, que são pessoas "importantíssimas". Ele citou a nova presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que assumiu o comando do banco depois do ex-presidente Pedro Guimarães se demitir por envolvimento em denúncias de assédio sexual.

-- Nosso olhar todo especial para as mulheres do Brasil, pessoas, logicamente, importantíssimas. Nenhum homem pode sonhar em crescer na vida se não tiver ao teu lado uma magnífica e grandiosa mulher. Esse é o nosso Brasil, que inclusive agora temos na Caixa Econômica Federal uma senhora presidindo aquela instituição. Uma pessoa fantástica que também está transformando a Caixa para elas.

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O núcleo da campanha já havia proposto ao presidente que dedicasse oportunidades que tivesse durante discursos para fazer a defesa do Auxílio Brasil e de outras iniciativas que geraram emprego, para tentar virar o voto de eleitores que hoje decidiram abraçar a candidatura do ex-presidente Lula (PT).

Nesta quinta-feira, ele ressaltou que sua gestão teve saldo positivo no número de carteiras assinadas, apesar da pandemia. Citou, também, o lucro das estatais e afirmou que o governo, junto com o parlamento, trata a "coisa pública com responsabilidade".

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— Em 2014 e 2015 perdeu-se no Brasil 3 milhões de empregos. 2020 e 2021, com pandemia, criamos aproximadamente também 3 milhões de empregos. As estatais deram lucro no ano passado em torno de R$ 190 bilhões, até pouco tempo eram deficitárias ou tinham pouquíssimo lucro. É o governo juntamente com o parlamento tratando a coisa pública com responsabilidade.

Além de reforçar os feitos da gestão, a campanha, agora, aposta em capitalizar conquistas recentes do governo para alavancar o desempenho do presidente nas pesquisas eleitorais, como a redução do preço da gasolina e o aumento do Auxílio Brasil.

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O objetivo é chegar no dia 16 de agosto, quando começa a disputa oficialmente, mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas. O petista aparece com 57% da preferência no último levantamento do Datafolha, 13 pontos à frente do qual chefe do Executivo.

Além das mulheres e dos mais vulneráveis, a campanha também tem foco em furar a bolha bolsonarista e conquistar eleitores fora de setores em que o presidente têm melhor desempenho, como agronegócio e entre evangélicos.

Os estrategistas também estão de olho nos eleitores conhecidos como "bolsonaristas arrependidos", que votaram no presidente em 2018, mas hoje não apoiam sua reeleição. O objetivo é recuperar o espaço perdido de lá para cá.

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Em seu discurso no Senado nesta quinta-feira, Bolsonaro voltou a citar que o governo enfrentou diversos desafios, e que, apesar deles, o governo teve bons resultados. Citou, inclusive, a pandemia e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que usou para justificar o aumento da inflação e do preço dos combustíveis, temas que preocupam o governo às vésperas da eleição. Bolsonaro voltou a falar que são problemas que estão “no mundo todo”.

— Uma guerra que eclodiu no início deste ano entre dois países fez com que se agravassem as consequências econômicas para toda a sociedade brasileira. A inflação se fez presente, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, em especial no tocando a gêneros alimentícios e bem como combustíveis.

Ele seguiu afirmando que o governo federal adotou medidas imediatas para amenizar os impactos financeiros no bolso da população. Citou, por exemplo, que o governo federal zerou os impostos federais sobre o gás de cozinha, PIS/Cofins no óleo diesel e o teto do ICMS sancionado em junho.

— Isso se fará pesar para uma inflação bem menor no próximo ano, ousando a dizer que pode haver inclusive deflação. É o Brasil voltando a normalidade que se caracterizou no período pré-pandemia — afirmou.

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A PEC autoriza um pacote de bondades de R$ 41,2 bilhões neste ano, ao instituir um estado de emergência no Brasil. A Emenda prevê o aumento de R$ 400 para R$ 600 no valor do Auxílio Brasil e ainda busca zerar a fila para o benefício. Também dobra o valor do vale-gás e cria um auxílio para caminhoneiros e também para taxistas.

Bolsonaro também fez um aceno aos nordestinos, que outro desafio da campanha por ser reduto eleitoral histórico do PT onde Bolsonaro acumula uma rejeição de 62%, além de estar 30 pontos atrás do ex-presidente Lula nas intenções de voto, segundo o Datafolha.

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— A satisfação de visitar o nosso Nordeste é excelente, excepcional. Um carinho inigualável desse povo maravilhoso do nosso Nordeste. Com a chegada da água naquela região, prometida há tanto tempo, reconhecemos cada vez mais que somos realmente bem-vindos

Sem deixar o Nordeste de lado, a campanha agora vai concentrar esforços para ganhar votos no Rio, em São Paulo e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país, que reúnem 42% dos brasileiros votantes.

Presidente adiou 'live'

Bolsonaro chegou ao Senado antes do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e precisou esperar por cerca de dez minutos na sala da presidência. O presidente foi aplaudido por aliados ao entrar no plenário ao lado de Pacheco e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

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Os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira; da Advocacia-Geral da União, Bruno Bianco; da Secretaria de Governo, Célio Faria; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; e de Minas e Energia, Adolfo Sachida, acompanharam Bolsonaro na solenidade.

Bolsonaro decidiu ir caminhando ao Congresso. Ele chegou de viagem, do Maranhão, por volta das 17h e seguiu da base aérea para o Palnalto, onde chegou com roupa esportiva. Ele se arrumou no próprio gabinete e desceu a rampa do Palácio para vir até o Congresso.

Ao contrário do que costuma ocorrer, o Gabinete de Segurança Institucional não fechou o trânsito na esplanada dos ministérios. Bolsonaro e comitiva, então, esperaram o semáforo fechar para atravessar a rua.

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O presidente até a sua tradicional "live" de quinta-feira para participar da promulgação.

Bolsonaro, Pacheco e Arthur Lira entraram juntos no plenário do Senado, onde ocorreu a cerimônia de promulgação. No caminho, o presidente recebeu cumprimentos e parou para falar com Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, e Bia Kicis (PL-DF).

Lira e Pacheco discursam

Em discurso, o presidente do Câmara, Arthur Lira (PP-AL), elogiou os "esforços" dos parlamentares na aprovação da PEC Eleitoral e afirmou que o Legislativo segue "dando provas enfrentar um amplo leque de desafios pelos quais passam a sociedade brasileira".

— Temos a certeza de que esse conjunto de medidas provocará um impacto muito positivo na redução da pobreza no nosso país, minimizando seus efeitos tão deletérios para nosso povo — disse o deputado.

Lira também comentou sobre a promulgação da PEC do Piso da Enfermagem e da que limita a apresentação de recursos no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O parlamentar aproveitou a oportunidade para novamente parabenizar os senadores e deputados.

— É com trabalho como este que oferecemos as melhores respostas ao povo que nos confiou o poder de representação, e que entregamos ao nosso País os instrumentos de que ele necessita para avançar no caminho do progresso e da justiça social — afirmou.

O trabalho de Lira e de Pacheco para acelerar a tramitação foi fundamental para a aprovação rápida da proposta.

O presidente do Senado, afirmou em seu discurso que a PEC Eleitoral visa enfrentar um problema de gravidade e urgência e ressaltou que apesar de PECs demandarem uma tramitação mais lenta, a aprovação aconteceu com "celeridade".

— A Emenda que ora promulgamos visa amenizar, para a população brasileira, os nefastos efeitos sociais e econômicos advindos do processo inflacionário observado, nos últimos meses, em quase todos os países do globo — disse Pacheco.

Assim como Lira, Pacheco também agradeceu aos parlamentares e mencionou os relatores dos textos, entre eles o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Carlos Portinho (PL-RJ).

— Cumprimos aqui, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, uma importante tarefa para proteger a população brasileira dos penosos efeitos sociais e econômicos que ensejam a declaração do atual estado de emergência — afirmou.