Bolsonaro distorce conversa com diretor da OMS em live

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  • Afirmação descontextualizada foi feita durante live semanal

  • Parte da conversa informal foi publicada nas redes sociais. No entanto, o diretor da OMS se refere ao estágio atual da pandemia

  • O Yahoo! Notícias verificou outra peça de desinformação compartilhada pelo presidente Bolsonaro durante a reunião do G20

Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a distorcer a fala do diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, durante encontro da cúpula do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) em Roma, na Itália, realizado na última semana.

Bolsonaro atacou as medidas de isolamento social e afirmou que o diretor da OMS teria dito que não apoiava o lockdown na pandemia de Covid-19. Contudo, não explica em qual contexto teria sido dada tal declaração. “Você vai ver na minha página, tem que prestar atenção, está um pouquinho baixo o som, mas dá para você ouvir o que ele [Tedros Adhanom] falou sobre lockdown. [Se] ele apoiou ou não o lockdown, a OMS, tá ok?", disse o presidente brasileiro durante a transmissão para os seus apoiadores.

Em live, Bolsonaro presidente tirou fala do diretor da OMS de contexto para atacar isolamento social (Foto: YouTube/Reprodução)
Em live, Bolsonaro presidente tirou fala do diretor da OMS de contexto para atacar isolamento social (Foto: YouTube/Reprodução)

Contudo, a declaração está distorcida. De fato, houve uma conversa informal entre Bolsonaro e o presidente da OMS durante a reunião do G20. Parte do diálogo foi divulgado nas redes sociais do mandatário, mas não foi exibida a íntegra da conversa, apenas montagens com alguns trechos.

No registro, Adhanom comenta que a “OMS não é favorável à medida de lockdown”, referindo-se à conjuntura atual da pandemia. Ele ainda diz que com o avanço da vacinação no Brasil, caso o país continue a adotar “as medidas de saúde pública”, não seria necessária a adoção de medida em todo o país. Em nenhum momento o diretor da OMS descarta a possibilidade de voltar com medidas restritivas caso a doença avance.

Trecho do vídeo publicado nas redes sociais de Jair Bolsonaro (Foto: Facebook/Reprodução)
Trecho do vídeo publicado nas redes sociais de Jair Bolsonaro (Foto: Facebook/Reprodução)

A reportagem do Yahoo! Notícias verificou que na mesma ocasião o presidente Jair Bolsonaro usou a conversa como pretexto para disseminar informações falsas. O presidente afirmou que a OMS não recomenda a vacinação contra a Covid-19 para crianças, mas a informação também foi tirada de contexto.

Tedros Adhanom ressaltou que a OMS precisa de mais evidências sobre o uso das diferentes vacinas contra Covid-19 em crianças. O diretor-geral da organização destacou que as recomendações gerais de imunização para esse público só poderão ser feitas quando houver mais "segurança dos dados".

De fato, até o momento o órgão não aprovou o uso do imunizante para menores de 12 anos. Mas a organização ressalta a autonomia dos governos para a decisão: “até o momento, a OMS ainda não aprovou nenhuma vacina para crianças menores de 12 anos, no entanto, os países são autônomos na definição e decisão de sua estratégia de vacinação com base nas recomendações de sua agência sanitária reguladora”.

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