Bolsonaro distorce dados sobre Chapecó: Cidade tem UTIs lotadas e mortes por covid acima da média

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Presidente Jair Bolsonaro, de máscara, em evento no Palácio do Planalto, em Brasília
Presidente Jair Bolsonaro tem visita marcada a Chapecó (SC) nesta semana (Photo by Mateus Bononi/Getty Images)
  • Presidente Jair Bolsonaro apontou Chapecó (SC) como exemplo no combate à covid por adotar "tratamento precoce"

  • Bolsonaro, contudo, não cita que cidade tem leitos 100% ocupados e número de mortes acima da média

  • Desde que prefeito que defende "kit covid" assumiu, em janeiro, sistema de saúde do município entrou em colapso

O presidente Jair Bolsonaro usou informações distorcidas ao afirmar que Chapecó (SC) está com os números da pandemia em queda e volume de internações por covid-19 “próximo de zero” devido ao “tratamento precoce”, ou seja, medicamentos sem eficácia para a covid-19, como a hidroxicloroquina.

Bolsonaro disse na segunda-feira (5) que visitará a cidade que fez um “trabalho excepcional” contra a pandemia e deu “liberdade” a médicos para prescreverem o “tratamento precoce”.

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Apontada pelo presidente como exemplo no combate à covid-19, Chapecó tem 100% dos leitos de UTIs lotados no SUS e na rede privada. O município acumula ainda mais mortes por 100 mil habitantes do que o país e que Santa Catarina. A cidade apresenta taxa de 243 mortos para cada 100 mil habitantes, superior à média nacional (157,7 vítimas) e de Santa Catarina (158), segundo dados do Ministério da Saúde.

Em fevereiro, Chapecó enfrentou colapso no sistema de saúde, precisou transferir pacientes, adotar restrições de circulação e ampliar o número de leitos.

Desde que o prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD), assumiu, em janeiro, a taxa de óbitos pela covid-19 cresceu mais de quatro vezes. Até janeiro, o município somava 123 mortes pela doença. Na segunda-feira (5), chegou a 537.

Bolsonaro compartilhou vídeo em que o prefeito da cidade celebra a queda de internações e desativação de uma unidade de terapia semi-intensiva. Rodrigues atribuiu a redução à implantação de medidas como a indicação de “tratamento precoce” contra a doença.

LOCKDOWN PARCIAL

Entre as informações omitidas pelo prefeito e pelo presidente, está a de que os índices somente começaram a cair após a imposição de um lockdown, entre 22 de fevereiro e 8 de março. 

Em fevereiro, diante do colapso no sistema de saúde, Chapecó decretou o fechamento do comércio, bares e restaurantes. Também foi determinado o "toque de recolher", que chegou a ser questionado por Bolsonaro em outros estados no Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro e prefeito de Chapecó
Bolsonaro e prefeito de Chapecó

Ontem, em entrevista, Rodrigues admitiu que o lockdown parcial, criticado por Bolsonaro, contribuiu para amenizar a crise sanitária. Segundo o prefeito, a medida restritiva deve ser adotada em conjunto com a testagem rápida e orientações médicas para o tratamento mais adequado.

Embora o volume de internações tenha diminuído nos últimos dias, o índice continua acima do patamar do início do ano.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, deve acompanhar Bolsonaro em Chapecó. Apesar de não de ser um defensor dos medicamentos do “kit covid”, o médico cardiologista também não desestimula o uso do tratamento que virou bandeira de Bolsonaro na pandemia.

Notificações por efeitos adversos de remédios do “kit covid” disparam em 2020

As notificações por efeitos adversos decorrentes do uso de medicamentos do "kit covid" como cloroquina e hidroxicloroquina em 2020 dispararam na comparação com o ano anterior. Pelo menos nove mortes foram notificadas, todas após março de 2020, depois do início da epidemia de Covid-19 no país. No caso da cloroquina, medicamento recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro, o aumento nas notificações por efeitos adversos foi de 558%. Os dados constam de um levantamento feito pelo Globo com base no Painel de Notificações de Farmacovigilância mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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