Bolsonaro diz que Ministério da Saúde vai derrubar obrigação do uso de máscara

·3 minuto de leitura
Brazil's President Jair Bolsonaro removes his protective face mask to speak to journalists during a press conference amidst the Coronavirus (COVID-19) pandemic at Galeao Airport in Rio de Janeiro, Brasil, on May 5, 2021. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
A medida teria sido assinada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, em discurso no Planalto no fim da tarde desta quinta-feira (10), que o governo deverá emitir um parecer do Ministério da Saúde cancelando a obrigatoriedade do uso de máscaras.

A medida teria sido assinada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e valeria, de acordo com o presidente, para aqueles que já tenham contraído a Covid-19 ou que tenham sido vacinados contra o novo coronavírus.

Leia também

“Acabei de conversar com um tal de Queiroga, não sei se vocês sabem quem é. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados", disse Bolsonaro, sendo aplaudido em seguida.

"Para tirar esse símbolo (diz, levantando a máscara), que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado", completa o presidente, que já questionou anteriormente a eficácia das máscaras.

A decisão contraria as orientações científicas e ignora o risco de reinfecção, além da existência de outras variáveis da Covid-19. Especialistas também alertam que o uso da máscara permanece necessário mesmo após a pessoa ser vacinada.

A fala de Bolsonaro não explica de forma ocorrerá essa "desobrigação", uma vez que o próprio governo federal não editou nenhuma norma que obrigue o uso de máscaras pela população. Até agora, somente decretos e leis estaduais, municipais ou distritais regulamentam a obrigatoriedade da proteção.

Necessidade de máscara independe de vacinação, diz OMS

O uso obrigatório de máscaras não deve levar em conta apenas a vacinação, afirmou a OMS, no dia 14 de maio, ao responder a uma pergunta sobre a decisão dos Estados Unidos de liberar pessoas completamente imunizadas de portar o equipamento e de respeitar distanciamento físico.

Quem está vacinado "pode voltar a fazer as coisas que deixou de fazer por causa da pandemia", disse Rochelle Walensky, diretora do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças). A medida alcança 108 milhões de residentes nos EUA já completamente imunizados, de acordo com o CDC.

Ainda que vacinas reduzam doenças graves, hospitalizações e mortes, elas não têm 100% de eficácia, e usar ou não máscaras não depende da imunização, mas do grau de circulação do vírus, disse o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan.

New signs displaying the updated mask policy in the Capitol complex are seen in a Senate office building, Washington, Friday, June 4, 2021. (AP Photo/J. Scott Applewhite)
Placas exibem a nova política de máscara atualizada nos EUA, 4 de junho de 2021. (Foto: AP Photo / J. Scott Applewhite)

"É fundamental levar em conta a transmissão comunitária [quando a circulação do vírus em um território independe da chegada de pessoas de fora infectadas]" antes de relaxar medidas antitransmissão, disse ele.

A transmissão comunitária nos Estados Unidos está em nível laranja (o segundo maior entre cinco graus possíveis), de acordo com o acompanhamento do CDC, e chega ao vermelho em 11 estados, entre eles Flórida, Pensilvânia, Illinois, Michigan e Colorado.

Austrália e Nova Zelândia foram citadas como exemplos de como a decisão sobre máscaras está dissociada do estágio de vacinação. Mesmo sem campanhas de imunização avançada, esses países conseguiram suprimir a transmissão do coronavírus, o que permitiu evitar restrições.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos