Bolsonaro diz na Febraban que não é assinando "cartinha" que alguém se torna democrata

Jair Bolsonaro discursa durante convenção do PL que lançou sua candidatura à reeleição, no Rio de Janeiro, Brasil

SÃO PAULO (Reuters) -O presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição em outubro, voltou a criticar nesta segunda-feira as iniciativas da sociedade civil em defesa da democracia, afirmando que "cartinha" todo mundo faz.

Em discurso durante encontro com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Bolsonaro afirmou que quem deseja democracia precisa senti-la, e não assinar "cartinha".

"Quem quer ser democrata tem que assinar cartinha não... se eu mandar lá assinar que 'sou honesto'... todo mundo vai assinar que é honesto. Democracia tem que sentir. Falar, todo mundo fala", disse.

A Faculdade de Direito da USP, a Federação das Indústrias dos Estado de São Paulo (Fiesp) e outras entidades elaboraram cartas em defesa da democracia depois que Bolsonaro se reuniu com embaixadores em Brasília para repetir, desta vez para o público externo, seus ataques e alegações falsas contra o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas.

Desde que os manifestos começaram a circular, Bolsonaro tem criticado duramente os documentos. A Febraban assinou a carta da Fiesp.

Em vários momentos do discurso na Febraban, Bolsonaro procurou rebater os questionamentos de que ele não seria a favor da democracia. "Mandei prender algum deputado?", perguntou, numa possível alusão ao caso do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), que chegou a ser preso por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao mesmo tempo que disse não desejar brigas com outros Poderes, Bolsonaro voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas. O presidente falou que os bancos gastam fortunas com segurança cibernética, enquanto em Brasília, segundo ele, tem algo inexpugnável, numa referência às urnas eletrônicas. A diferença, no entanto, é que as urnas não entram em rede na internet, diferentemente dos aplicativos bancários.

Ao final do discurso, Bolsonaro foi aplaudido pelos presentes, mas alguns, como o presidente da B3, Gilson Finkelstain, e o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, não acompanharam os colegas.

CONSIGNADO

Bolsonaro também fez vários ataques ao líder das pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que sem mencioná-lo nominalmente, e repetiu feitos de seu governo e críticas usuais, como seus ataques às medidas de restrição de atividades que ajudaram a conter a Covid-19 no país.

Reconhecendo os problemas da inflação, agravados pela guerra na Ucrânia, Bolsonaro lembrou apelo que fez ao setor de supermercados em junho para reduzir lucro sobre a cesta básica, e fez um pedido aos banqueiros em relação ao custo do empréstimo consignado.

"Fiz uma videoconferência com os donos de supermercado do Brasil, apelei para eles: ‘Dá para diminuir a margem de lucro dos produtos da cesta básica?'... Agora, faço apelo para vocês: vai entrar o pessoal do BPC (Benefício de Prestação Continuada) no empréstimo consignado. Isso é garantia, desconto em folha. Se puderem reduzir o máximo possível, porque ainda estamos atravessando, estamos no final da turbulência", disse o presidente.

(Por Alexandre CaverniEdição de Pedro Fonseca)