Bolsonaro diz "não trabalhar com ruptura", mas afirma que há pessoas "impondo ditadura" no Brasil

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Jair Bolsonaro durante evento no dia 26 de agosto de 2021 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante evento no dia 26 de agosto de 2021 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • O presidente confirmou que estará nos atos de Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde, e disse que se trata de "um grande movimento popular, pacífico e ordeiro"

  • "Não pode uma ou duas pessoas, no máximo, estar ditando norma no Brasil, impondo uma ditadura no Brasil"

  • Presidente diz que eventual quarentena para policiais se candidatarem é "injusta"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (26) que as manifestações marcadas para 7 de setembro em seu apoio pedirão a "liberdade e o cumprimento de dispositivos constitucionais" e não terão atos de violência.

Em sua live semanal, Bolsonaro afirmou "não trabalhar com ruptura", mas, ao mesmo tempo, afirmou que há "uma ou duas pessoas" impondo uma ditadura no Brasil, em alusão a ministros do Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral.

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As manifestações do 7 de setembro estão previstas para acontecer em meio a um momento de tensão envolvendo Bolsonaro e o STF, com o presidente pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes – já rejeitado no Senado – e citando a possibilidade de não respeitar decisões da mais alta Corte do país.

Na transmissão, Bolsonaro falou sobre as manifestações marcadas para o Dia da Independência em dois momentos – no início e no final da transmissão, ponto em que discursou com mais veemência contra seus alvos e retomou a estratégia de descreditar o atual sistema eleitoral do país.

O presidente confirmou que estará nos atos de Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde, e disse que se trata de "um grande movimento popular, pacífico e ordeiro". "Tenho certeza de que tudo ocorrerá muito bem. Esse pessoal que nos apoia, ou que tem uma pauta definida de acordo com o que prescreve a nossa Constituição, é bastante justo o que eles pedem. É liberdade, democracia, a garantia dos dispositivos da nossa Constituição", afirmou.

"Muita gente vai estar falando sobre eleições. Nós queremos eleições, elas renovam o quadro e a esperança para todos. Mas gostaríamos muito que as eleições fossem limpas, democráticas e pudessem transmitir a confiança pro eleitor de que o voto dele vai ser contado pra aquela pessoa. Não podemos ter eleições sob suspeição", atacou.

Presidente nega ruptura, mas cita que há ditadura no país

Bolsonaro, em seguida, citou viagens de Luiz Inácio Lula da Silva pelo país e afirmou que o "evento que mais juntou gente não tinha mais do que 20 pessoas" esperando pelo petista. Segundo o presidente, isso comprova que as pesquisas eleitorais realizadas no momento estão erradas.

"Não é possível o Datafolha dizer que ele tem 49% no primeiro turno, e que no segundo turno teria 60% pra ganhar de quem quer que fosse. Então, não podemos ter uma eleição dessa maneira. A gente apela pro nosso TSE, que lamentavelmente tem um corregedor determinando desmonetização de páginas de direita. É impressionante, uma perseguição implacável."

Nesse momento, Bolsonaro acirrou o discurso e diz que o seu "norte" é o que "o povo quer". "Não trabalhamos com ruptura e nem sonhamos com isso. Mas, por outro lado, devemos lealdade ao povo brasileiro."

"Tudo indica que a [avenida] Paulista vai ter recorde de pessoas, Brasília também. O que essas pessoas estão pedindo? Transparência, paz, tranquilidade, e que se cumpra os incisos do artigo 5º da Constituição", disse Bolsonaro, citando o "direito de ir e vir, a liberdade de crença religiosa e a liberdade de expressão".

"Não pode uma ou duas pessoas, no máximo, estar ditando norma no Brasil, impondo uma ditadura no Brasil. Não podemos permitir isso aí. Se é difícil lutar com liberdade, imagine sem liberdade", disse Bolsonaro, pouco antes de encerrar a transmissão.

Violência seria de infiltrados na manifestação, diz Bolsonaro

Quando citou as manifestações na parte inicial da live, Bolsonaro afirmou que eventuais atos de violência seriam causados por "gente infiltrada" e atacou os movimentos de esquerda. "Se tiver, pode ter certeza que é gente infiltrada. Mas, até hoje, não tiveram coragem de se infiltrar, até porque tem muito agente de segurança, policial civil, militar das Forças Armadas, que não vão deixar esse pessoal fazer baderna e culpar a gente. De jeito nenhum."

"Esses movimentos [de apoio ao presidente] não têm nada de violência. Ninguém vai instigar invadir nenhuma coisa, queimar, como a esquerda sempre fez. A gente vê esses movimentos Antifas tacando fogo aí, agredindo policial. Isso não existe nesse movimento", afirmou.

Presidente diz que eventual quarentena para policiais se candidatarem é "injusta"

A maior parte da live desta quinta foi dedicada a citar ações do governo federal – o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, foi o principal convidado.

Bolsonaro, no entanto, fez referência a alguns temas políticos da semana. Ele citou, por exemplo, a possibilidade da aprovação no Congresso de uma quarentena para policiais, militares e juízes que quiserem se candidatar a cargos políticos.

"É uma injustiça com juízes, militares das Forças Armadas, policiais militares, bombeiros e policiais civis. Se o cara quer disputar as eleições, disputa as eleições, sem problema nenhum. Agora, por que criar uma quarentena só pra essas categorias?", questionou.

Bolsonaro ainda disse não concordar com a tese de que o projeto o favoreceria porque impediria uma eventual candidatura de Sergio Moro à Presidência. "Não posso cometer, pra tirar o Moro da possível corrida eleitoral, prejudicar todo mundo [sic]. Eu quero mais é que, se ele resolver se candidatar, que se candidate e que dispute as eleições. E se ele ganhar, eu vou desejar boa sorte pra ele. Não quero usar uma lei pra perseguir as pessoas", afirmou.

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