Bolsonaro diz que ajuda argentina para a Bahia não era 'necessária no momento'

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    38.º presidente do Brasil
Bolsonaro, de férias em SC, afirmou que a ajuda humanitária da Argentina à Bahia
Bolsonaro, de férias em SC, afirmou que a ajuda humanitária da Argentina à Bahia "não é necessária" nesse momento. (Foto: Reprodução/Twitter)

Um dia após o governo brasileiro rejeitar uma ajuda oferecida pela Argentina para atender a população da Bahia afetada por temporais, o presidente Jair Bolsonaro utilizou suas redes sociais para justificar a decisão. 

De acordo com Bolsonaro, o auxilio do país vizinho não seria necessário no momento, mas que a oferta "poderá ser acionada oportunamente". O presidente está de férias no estado de Santa Catarina.

"Em contato com o Itamaraty, a Chancelaria Argentina ofereceu assistência de 10 homens ("capacetes brancos") para trabalho de almoxarife e seleção de doações, montagem de barracas e assistência psicossocial à população afetada pelas enchentes na Bahia. O fraterno oferecimento argentino, porém muito caro para o Brasil, ocorre quando as Forças Armadas, em coordenação com a Defesa Civil, já estavam prestando aquele tipo de assistência à população afetada, inclusive com o apoio de 3 helicópteros da Marinha e do Exército. Por essa razão, a avaliação foi de que a ajuda argentina não seria necessária naquele momento, mas poderá ser acionada oportunamente, em caso de agravamento das condições. A resposta do Ministério das Relações Exteriores à Embaixada Argentina é clara a esse respeito."

O pedido de autorização para a missão estrangeira foi feito pelo governador Rui Costa, na tarde de quarta (29). A negativa partiu por meio do Ministério das Relações Exteriores.

Segundo Bolsonaro, o auxílio da Argentina não é necessário no momento em que mais de 629 mil pessoas são afetadas pelas chuvas na Bahia, e 91.258 estão desabrigadas ou desalojadas. Ao todo, 136 cidades baianas estão em situação de emergência.

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O país vizinho pretendia enviar profissionais especializados nas áreas de água, saneamento, logística e apoio psicossocial para socorrer moradores baianos afetados pelas fortes chuvas.

Por meio de um documento oficial enviado ao consulado argentino, Ministério das Relações Exteriores dispensou o apoio do país vizinho. Segundo o texto, a situação da Bahia “está sendo enfrentada com a mobilização interna de todos os recursos financeiros e de pessoal necessários”.

O Itamaraty informou ainda que “na hipótese de agravamento da situação, requerendo-se necessidades suplementares de assistência, o Governo brasileiro poderá vir a aceitar a oferta argentina de apoio da Comissão dos Capacetes Brancos, cujos trabalhos são amplamente reconhecidos”.

Mais cedo o governador do Estado, Rui Costa (PT), chegou a agradecer ao governo argentino pela solidariedade e pediu para que o governo brasileiro aceitasse a missão estrangeira.

“Meu agradecimento ao governo argentino pela oferta de ajuda humanitária às vítimas das enchentes na Bahia, em especial ao embaixador Daniel Scioli, ao cônsul-geral na Bahia, Pablo Virasoro, e à presidente da comissão nacional dos Capacetes Brancos, a embaixadora Sabina Frederic”, escreveu o governador” publicou o governador petista nas redes sociais.

Aerial view showing a flooded area of Itambe caused by heavy rainfall in the Brazilian state of Bahia State, taken on December 29, 2021. - Bahia State faces a heavy cost from the flooding caused by torrential rains that burst two dams and left at least 21 people dead. (Photo by RICARDO DUTRA / AFP) (Photo by RICARDO DUTRA/AFP via Getty Images)
Aerial view showing a flooded area of Itambe caused by heavy rainfall in the Brazilian state of Bahia State, taken on December 29, 2021. - Bahia State faces a heavy cost from the flooding caused by torrential rains that burst two dams and left at least 21 people dead. (Photo by RICARDO DUTRA / AFP) (Photo by RICARDO DUTRA/AFP via Getty Images)

Chuvas na Bahia em dezembro foram as mais volumosas do planeta

Nenhum lugar do mundo teve uma chuva tão volumosa e numa área abrangente como o estado da Bahia no mês de dezembro. De acordo com a empresa de meteorologia Metsul, que coletou dados na base de monitoramento global de precipitação da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência climática do governo dos Estados Unidos, a quantidade de água na região ficou acima da normalidade.

O mapa de anomalia de precipitação, que mostra as chuvas entre os dias 24 de novembro e 24 de dezembro mostra áreas do Sudeste Asiático, perto da Indonésia e Papua Nova Guiné, com volume mais abrangente de águas, mas a região do estado da Bahia é a maior do mundo com intensa precipitação.

A tragédia baiana foi deflagrada por um fenômeno chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), colossal canal de umidade trazida do mar que "estaciona" sobre determinadas áreas, causando chuva intensa e inundação por dias. Um conjunto de fenômenos meteorológicos raros tem causado essa "anomalia" no clima baiano.

— A ZCAS se espalhou pela Bahia, o que é totalmente fora do normal, e despejou aguaceiros numa região cerca de 1.000 quilômetros ao norte da que costuma ocorrer (o Sudeste). E esse fenômeno, que por si só já seria raro, aconteceu duas vezes no mesmo mês — destaca o cientista do Cemaden, instituição que alertou com antecedência de cinco dias sobre o risco de tragédia na Bahia e cuja ação coordenada com a Defesa Civil e prefeituras baianas permitiu a retirada de muita gente de áreas de risco, evitando que o número de mortos fosse ainda maior.

A análise de anomalia de chuva global da NOAA, que teve os dados analisados pelo Metsul, é feita com base no sistema CMAP, conjunto de dados de precipitação construído a partir de análise de medições feitas por estações meteorológicas e pluviômetros, além de estimativas derivadas de satélite. As estimativas baseadas em satélite e/ou reanálise são ponderadas de acordo com a análise das medições que se presume mais precisas, afirma o site. O volume tão alto de chuvas explica as inundações inéditas em tantas cidades do estado.

Vitoria Rocha, 81, poses with the picture of her parents after she found it in the rubble of her home where she lived for almost 40 years which was destroyed by floods, in Itambe, Bahia state, Brazil December 28, 2021. REUTERS/Amanda Perobelli
Vitoria Rocha, 81, poses with the picture of her parents after she found it in the rubble of her home where she lived for almost 40 years which was destroyed by floods, in Itambe, Bahia state, Brazil December 28, 2021. REUTERS/Amanda Perobelli

O município que registra maiores índices de precipitação é Itamaraju, no Sul da Bahia, com 769,8mm registrados no mês de dezembro, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o que equivaleria a cinco vezes mais do que a média de precipitação do mês, que costuma ficar entre os 148,0mm.

Outra cidade baiana com registros elevados é Lençóis. Entre os dias 1º e 27 deste mês, a média foi de 578,0 mm, 445,4 mm acima média histórica do mês, registrada em 132,6 mm.

Em Caravelas (BA), o total de chuva até a manhã desta segunda-feira foi de 493,4 mm, 346,2 mm acima da média histórica de dezembro (148,0 mm).

A Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) divulgou nessa terça-feira que já são 21 mortes confirmadas pelas fortes chuvas que atingiram o estado nos últimos dias. De acordo com o órgão, a vítima fatal mais recente foi um jovem de 19 anos, que morreu afogado na tentativa de atravessar uma enxurrada em Ilhéus, na última segunda-feira.

A Sudec anunciou ainda outros dados sobre a situação da população atingida pela temporal. Ao todo, 34.163 pessoas estão desabrigadas, 42.929 moradores desalojados e, ao todo, mais de 470 mil pessoas foram afetadas pela catástrofe ambiental.

Entre os municípios que tiveram casos de vítimas fatais, estão Itamaraju, com quatro mortes; Jucuruçu, com três vítimas; Amargosa, Itaberaba, Prado, Ilhéus e Itabuna, todas com duas mortes; Macarani, Ruy Barbosa, Itapetinga e Aurelino Leal, com uma vítima. Mais de 130 cidades baianas estão em decreto de situação de emergência por conta do temporal.

A man paddles on a makeshift raft through a water-logged street during flooding caused by heavy rains in the city of Dario Meira, Bahia State, Brazil, on Dec. 28, 2021. The death toll from heavy rains lashing the northeastern Brazilian state of Bahia rose to 20 on Monday, with 358 people injured, according to a report released by the state's civil defense authorities. According to the National Institute of Meteorology, the high volume of rains that have devastated southern Bahia since November will continue this week and extend into January. (Photo by Lucio Tavora/Xinhua via Getty Images)
A man paddles on a makeshift raft through a water-logged street during flooding caused by heavy rains in the city of Dario Meira, Bahia State, Brazil, on Dec. 28, 2021. The death toll from heavy rains lashing the northeastern Brazilian state of Bahia rose to 20 on Monday, with 358 people injured, according to a report released by the state's civil defense authorities. According to the National Institute of Meteorology, the high volume of rains that have devastated southern Bahia since November will continue this week and extend into January. (Photo by Lucio Tavora/Xinhua via Getty Images)
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