Bolsonaro diz que alertou familiares sobre possíveis operações em imóveis

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e parentes estão sendo investigados pela compra de imóveis em dinheiro vivo. (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e parentes estão sendo investigados pela compra de imóveis em dinheiro vivo. (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
  • Declaração foi feita em live nas suas redes sociais

  • Bolsonaro e familiares compraram 51 imóveis com dinheiro vivo

  • 'Vão fazer busca e apreensão na casa de vocês para ter aquele escândalo na mídia'

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirma que alertou parentes que vivem no Vale do Ribeira sobre possíveis operações de busca e apreensão em suas casas. As ações seriam parte da investigação sobre a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo por ele e sua família.

O candidato à reeleição fez a declaração durante uma transmissão ao vivo nesta quinta-feira (8). “Já liguei para os meus irmãos, os meus parentes. Cuidado que vão fazer uma busca e apreensão na casa de vocês. Já estou avisando. Vão fazer busca e apreensão na casa de vocês daqui a poucos dias para ter aquele escândalo na mídia”, disse.

Nesta terça-feira (6), Bolsonaro já havia falado sobre a possibilidade de uma operação em entrevista à Jovem Pan.

“Só falta essa semana, semana que vem, fazerem busca e apreensão na casa desses parentes meus no Vale do Ribeira. Eu acho que, tenho quase certeza, que vão fazer buscas e apreensão na casa de parentes meus para dar aquele: ‘Olha, a família de corruptos’”, disse.

Entenda o caso

A revelação foi feita em reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30). Desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

Esse tipo de transação pode indicar lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio. Inclusive, há uma proposta sendo debatida no Senado para proibir essa modalidade de pagamento. O texto, no entanto, está há um ano na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Além disso, não é possível saber como foi feito o pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil, ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos. De acordo com o portal UOL, esta informação não está disponível nos documentos de compra e venda.

A compra de 30 imóveis foi feita com transações por meio de cheque ou transferência bancária, totalizando R$ 13,4 milhões, ou R$ 17,9 milhões corrigidos pelo IPCA.