Bolsonaro diz que Argentina 'escolheu mal' e não vai parabenizar Fernandéz

Para Bolsonaro, Argentina 'escolheu mal' ao colocar Alberto Fernandéz e Cristina Kirchner. (Foto: REUTERS/Satish Kumar)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que não irá parabenizar o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, e que o país “escolheu mal”. A declaração do presidente brasileiro aconteceu após a chapa de Fernández e sua vice, Cristina Kirchner, ser declarada eleita com cerca de 48% dos votos.

“Lamento. Não tenho bola de cristal, mas acho que a Argentina escolheu mal. (...) Não pretendo parabenizá-lo. Agora, não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual é a posição real dele na política, porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo e vamos ver qual linha que ele vai adotar", disse Bolsonaro, ao deixar os Emirados Árabes, onde estava desde sábado (26).

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Alberto Fernández derrotou o atual presidente da Argentina, Mauricio Macri. Bolsonaro complementou alegando que a esquerda venceu as eleições porque as reformas propostas por Macri não deram resultado. “Agora, o povo botou no poder quem colocou a Argentina no buraco lá atrás", disse o presidente brasileiro.

A respeito do Mercosul, Bolsonaro disse que pretende manter relações bilaterais com a Argentina, mas que os vizinhos podem ser “afastados” do Mercosul se o novo presidente interferir no acordo do bloco com a União Europeia.

“Não digo que sairemos do Mercosul, mas poderemos juntar com o Paraguai. Não sei o que vai o que vai acontecer com o Uruguai, vamos ver o que vai ser nas eleições do Uruguai, e decidimos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não. Se ferir, nós podemos afastar a Argentina. A gente espera que nada disso seja necessário. Espero que a Argentina não queira, na questão comercial mudar o seu rumo", afirmou.

QUEM É ALBERTO FERNÁNDEZ?

Eleito neste domingo (27) o próximo presidente da Argentina, Alberto Fernández, 60, é veterano na política, com passagens por diferentes matizes ideológicos. Entrou nessa vida quando ainda era estudante de direito, por meio de uma pequena agrupação nacionalista de direita, na qual se destacou como bom orador.

Nos anos 1980, com a redemocratização do país após o regime militar (1976-1983), Fernández integrou o governo de Raúl Alfonsín (1983-1989), do partido que na época era o principal rival do peronismo, a União Cívica Radical. Lá, ocupou o cargo de subdiretor geral de assuntos jurídicos do ministério da economia.

Confira o perfil completo do novo presidente.