Bolsonaro diz que Constituição prevê independência entre Poderes e que vai insistir em Ramagem na PF

Daniel Gullino
O presidente Jair Bolsonaro ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro na posse do novo ministro da Justiça e do AGU

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quarta-feira a independência entre os Poderes, horas após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrar a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal (PF).

A declaração ocorreu na cerimônia de posse de André Mendonça no Ministério da Justiça e de José Levi Mello na Advocacia-Geral da União (AGU). O presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes estavam presentes no evento. 

Bolsonaro leu o artigo da Constituição que diz que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário são "independentes e harmônicos entre si", dando ênfase na palavra "independentes", repetida duas vezes por eles.

Depois, disse que respeita as decisões do Judiciário, mas afirmou respeitar mais a Constituição:

— Respeito o Poder Judiciário, respeito as suas decisões, mas nós, com toda a certeza, antes de tudo, respeitamos a Constituição.

Bolsonaro ressaltou que Ramagem é um "homem honrado" e que "brevemente" sua nomeação para a direção da PF irá se concretizar:

— Creio essa ser uma missão honrada para o senhor Ramagem, e eu gostaria de honrá-lo no dia de hoje dando-lhe posse como diretor-geral da Polícia Federal. Eu tenho certeza que esse sonho meu — mais dele — brevemente se concretizará para o bem da nossa Polícia Federal e do nosso Brasil.

O presidente se disse honrado com a presença de Toffoli e elogiou principalmente Gilmar, dizendo que ele "não se furtou de seu voto em prol do Brasil":

— Prezado Dias Toffoli, também me me sinto muito honrado com a sua presença. Senhor Gilmar Mendes, integrante do nosso Supremo Tribunal Federal, é uma satisfação tê-lo aqui. Um homem que por vezes que o Executivo precisou não se furtou de dar seu voto em prol do Brasil. Muito obrigado ao senhor.