Bolsonaro diz que discute com governadores revisão de áreas de preservação

GUSTAVO URIBE
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 30-04-2019: O presidente Jair Bolsonaro assina MP que diminui burocracia para startups e pequenos negócios, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (11) que tem discutido com governadores do país a revisão de unidades de preservação ambiental.

Em café da manhã com a bancada evangélica, no Palácio do Planalto, ele citou como exemplo a estação ecológica de Tamoios, na região de Angra dos Reis.  

O plano do Palácio do Planalto é transformá-la em um balneário turístico, como Cancún, no México, mas a iniciativa tem esbarrado na legislação ambiental.

"No Rio de Janeiro, a gente quer, com dinheiro de fora, transformar a baia de Angra dos Reis em uma Cancún. Mas o decreto que demarcou a estação ecológica só pode ser derrubado por uma lei", disse.

O presidente relatou ter conversado sobre o assunto com os governadores do Goiás, Ronaldo Caiado, e do Pará, Helder Barbalho.

"Nós estamos conversando com vários outros governadores no sentido de nos unirmos e desmarcar muita coisa por decreto no passado para poder fazer com que o estado possa prosseguir", disse.

Na semana passada, em outro café da manhã com a bancada ruralista, Bolsonaro também havia afirmado que a demarcação de áreas de preservação ambiental tem dificultado o progresso no país.

Ele disse que antecessores seus no Palácio do Planalto criaram uma imagem negativa do país no exterior e ressaltou que nem o presidente francês, Emmanuel Macron, nem a chanceler alemã, Angela Merkel, têm autoridade para discutir políticas de meio ambiente para o Brasil.

"Esses dois em especial [Macron e Merkel] achavam que estavam tratando com governos anteriores, que, após reuniões como essa, vinham pra cá, demarcavam dezenas de áreas indígenas e quilombolas, ampliavam área de proteção. Ou seja, dificultavam cada vez mais nosso progresso aqui no Brasil", disse.

No final de semana, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacou o Fundo Amazônia com uma notícia antiga de 2014. O texto compartilhado por ele nas redes sociais dizia que o BNDES elaborava um projeto para ajudar países da bacia do rio Congo, na África, a monitorar desmatamento com recursos do fundo. 

Arthur Koblitz, da associação de funcionários do banco, entendeu ser uma indireta para questionar o papel do fundo, e respondeu. "Sr. Ministro, essa notícia é falsa. Não há qualquer projeto apoiado pelo Fundo Amazônia na África", disse.