Bolsonaro diz que economia do Brasil sofreu menos que a do resto do mundo, mas que inflação é culpa do 'fique em casa'

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BRASÍLIA — Em meio a uma inflação que atingiu dois dígitos pela primeira vez desde 2016, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (dia 8), que o Brasil está se recuperando e que foi um dos países que menos sofreram na economia durante a pandemia.

Mais uma vez, o presidente disse que a culpa pelos problemas econômicos do país foram as medidas restritivas adotadas por governadores para conter o contágio do novo coronavírus. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, o Brasil se aproxima de 600 mil mortes por Covid-19.

O IBGE divulgou na manhã desta sexta-feira que a inflação atingiu o maior patamar em setembro para os últimos 27 anos, ou seja, desde o início do Plano Real. Em 12 meses, a inflação já supera os 10%.

A previsão mais recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne os países ricos, é que o Brasil feche 2021 com a terceira maior inflação entre as principais nações desenvolvidas e emergentes.

Em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada, Bolsonaro destacou que outros países estão sofrendo com índices de inflação ainda maiores para alguns produtos.

Ele repetiu que o preço do gás no Reino Unido subiu 300% nos últimos meses e 200% em média na Europa e que alguns países do continente enfrentam desabastecimento, omitindo porém que no Reino Unido a escassez de produtos é reflexo do Brexit (separação do país da União Europeia).

— Um dos países que menos sofreu na economia com a pandemia fomos nós. Aí fora, a Inglaterra, 300% de aumento do gás. 200% em média na Europa. Alimentos em falta lá. Não é apenas inflação. O pessoal reclama daqui, mas aqui estamos pagando aquela do fique em casa, a economia a gente vê depois. Eu falei que não podia fazer isso. Mas a gente tá recuperando aí — afirmou Bolsonaro.

Para tentar se afastar da reprovação causada pelo aumento dos preços, Bolsonaro tem afirmado que a crise inflacionária é mundial. No entanto, pesquisa recente divulgada pela OCDE mostra o Brasil no topo da lista entre as maiores inflações do planeta.

Veja ainda:

Entre os 20 principais países ricos e emergentes, a inflação prevista para o Brasil este ano será a terceira maior, atrás apenas de Argentina (47%) e Turquia (17,8%). A OCDE prevê uma alta média de preços de 7,2% este ano, mas até o governo brasileiro tem projeção maior, de 8,4%.

Na média do G-20, a inflação, segundo cálculos da OCDE, ficará em 3,7% este ano - ou seja, menos da metade da alta de preços registrada aqui.

Nesta quinta-feira, durante transmissão em suas redes sociais, o presidente chegou a comparar o preço de alimentos no país com o de mercados nos Estados Unidos para mostrar que no exterior seriam mais caros.

Bolsonaro, entretanto, apenas converteu os valores em dólares para reais, sem levar em conta o maior poder aquisitivo nos Estados Unidos ou o fato de que a cotação do dólar subiu com força nos últimos dias.

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