Bolsonaro diz que está 99% fechado com PL, e Valdemar Costa Neto confirma

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  13-09-2021, O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 13-09-2021, O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (8) que está "99% fechado" para se filiar ao PL, partido de Valdemar Costa Neto.

A declaração foi dada à CNN Brasil. Segundo a TV, o presidente disse ainda que a "chance de dar errado [a negociação] é zero".

Segundo o chefe do Executivo, na quarta-feira (10) haverá reunião para tratar dos últimos detalhes com Valdemar e, em seguida, "marcar a data do casamento".

No início da noite, na frente do Alvorada, Bolsonaro falou a apoiadores sobre a filiação ao PL. "Talvez saia nesta semana aí", afirmou. A conversa foi transmitida na internet por um site bolsonarista.

Se for confirmada a ida do presidente ao PL, esta será uma vitória de auxiliares palacianos defensores da tese de que o partido era o mais propenso a deixar a base do governo em 2022. Com isso, Bolsonaro pode evitar eventual debandada.

O temor desses interlocutores é que, se Bolsonaro não se filiasse, a legenda poderia coligar com os ex-aliados do PT. Tanto no PL quanto no PP, há resistência em diretórios estaduais, em especial no Nordeste, a apoiar o presidente na eleição.

Ministros como Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral) defendiam a ida de Bolsonaro para o PL.

O presidente da legenda, ex-aliado do PT, condenado e preso no esquema do mensalão, confirmou a filiação pouco depois.

Em áudio enviado a um assessor nesta segunda-feira, a que a reportagem teve acesso, Valdemar disse que Bolsonaro tem conversado com os três principais partidos da base de sustentação dele no Congresso —PP, PL e Republicanos— para que todos sejam atendidos.

Ele disse ainda que Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil e líder do PP, já foi avisado sobre a decisão do presidente.

"Hoje ele me informou que falou com o Ciro [Nogueira] e com os outros partidos. Temos que nos entender para que todos sejam atendidos. Política é isso. Hoje o PP tem a presidência da Câmara, amanhã, vamos querer ter essa presidência. Tem a eleição do Arthur e nós vamos apoiar? E depois de nós, vai vir o PRB (Republicanos), todos temos que crescer. Não pode ficar para trás. Se temos um grupo temos que estar unidos", disse Valdemar.

"Ele [Bolsonaro] falou comigo que falou com o Ciro hoje e o Ciro entendeu. Vamos tocar para frente o assunto e vamos entender quando vamos fazer essa filiação", continuou.

Discreto, o presidente do PL fez, na semana anterior, um gesto considerado agressivo em termos de articulação política, ao divulgar um vídeo convidado Bolsonaro e seus apoiadores a se filiares na legenda.

No dia anterior à gravação, o mandatário havia enviado uma mensagem a Valdemar dizendo que estava decidido a migrar para a sigla. O dirigente partidário esperava que ele anunciasse a decisão no dia da divulgação do vídeo, o que não ocorreu.

Na ocasião, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) agradeceu ao convite, mas disse continuar conversando também com o partido de Ciro Nogueira.

Um dos acordos tanto com o PL como o PP, que Bolsonaro vinha conversando, prevê que o presidente possa influenciar na escolha dos candidatos ao Senados em estados-chave.

No próximo dia 19, Bolsonaro fará dois anos sem partido, desde que pediu desfiliação do PSL.

Nas últimas semanas, o PP e o PL intensificaram as negociações com o presidente.

​Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, os dois partidos do centrão devem compor a chapa presidencial, um filiando o chefe do Executivo, e o outro, o vice.

Este é o acordo que vem sendo discutido pelas cúpulas das duas legendas e por auxiliares palacianos.

Caso se confirme a ida do clã ao partido de Valdemar, caberia ao PP sugerir um nome para disputar a Vice-Presidência em chapa com o mandatário.

O nome do ministro-chefe da Casa Civil costuma ser ventilado para o posto, mas interlocutores dizem ainda ser cedo para discutir nomes.

Além do mais, caberá mesmo ao próprio Bolsonaro escolher com quem concorrerá a eleição, ainda que venha a ser do PP. Pode ser, inclusive, alguém que ainda não esteja filiado, segundo interlocutores de Nogueira

Ainda que, reservadamente, todos deem como certa a ida de Bolsonaro para o PL, dirigentes dos dois partidos evitam dar certeza publicamente. O presidente já mudou de ideia em outros momentos.

Se confirmada a filiação de Bolsonaro, integrantes do PL defendem fazer o evento no próximo dia 22, cuja data coincide com o número do partido.

Aliados do presidente brincam que um dos slogans possíveis para a eleição do ano que vem pode ser "em 22, vote 22", já que este será o número que o eleitor deverá digitar na urna se quiser votar em Bolsonaro.

Vice líder do governo no Senado, Wellington Fagundes (PL-MT) disse a jornalistas no Palácio do Planalto que o "PL nunca foi de fechar questão", questionado sobre a possibilidade de o partido todo embargar na candidatura do mandatário.

"Temos as diferenças regionais muito grandes, acredito que é possível sim ter coligações diferentes, até porque na legislação não tem verticalização", completou.

Segundo o senador, haverá uma reunião no próximo dia 17 com todos os presidentes estaduais para discutir aspectos regionais, "mas todos estão [recebendo] de forma muito receptiva a todos os simpatizantes e aliados do Bolsonaro".

Fagundes disse esperar receber ao menos mais 20 deputados na janela partidária com a filiação do mandatário.

Pesou na escolha de Bolsonaro o fato de uma parte de seus apoiadores no Congresso preferirem o PL ao PP. Entre eles estão a deputada Bia Kicis (PSL-DF) e o ministro Onyx Lorenzoni (Trabalho), que é deputado licenciado do DEM pelo Rio Grande do Sul.

Lorenzoni, inclusive, já afirmou a aliados que vai para o PL independentemente da decisão de Bolsonaro.

Onyx também já buscou articular a formação de uma federação de PP e PL, possibilidade descartada hoje por dirigentes das duas siglas.

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