Bolsonaro diz que está do lado da paz após ser cobrado por Zelenski sobre Guerra da Ucrânia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (20) que, na Guerra da Ucrânia, está do "lado da paz". A declaração, dada a apoiadores no chamado cercadinho do Palácio do Alvorada, se deu um dia depois de o líder ucraniano, Volodimir Zelenski, criticar diretamente o chefe do Planalto por sua posição de neutralidade no conflito.

"Eu estou do lado da paz", disse o presidente brasileiro, citando que, caso tivesse um meio de resolver o conflito no Leste Europeu, já o teria feito. Na semana passada, ao comentar que falaria por telefone com Zelenski, Bolsonaro afirmou que apresentaria ao homólogo a solução para a guerra: "Eu sei como seria a solução do caso".

Nesta quarta, ele também disse aos apoiadores que, se dependesse do seu entorno, não teria ido à Rússia às vésperas do início do conflito para discutir, entre outros temas, o comércio de fertilizantes. O Brasil importa a maior parte das substâncias que utiliza, e Moscou é um dos principais fornecedores —a soja é a principal cultura consumidora do item.

O timing da visita foi mal recebido por parceiros como os EUA, que tentaram dissuadir o governo da viagem, defendendo que a ida poderia representar apoio às ações de Vladimir Putin em meio a tensões na região, e que depois criticaram uma declaração do brasileiro, que se disse "solidário à Rússia" sem especificar sobre que aspecto se manifestava.

Em entrevista à TV Globo exibida na noite de terça-feira (19), o presidente da Ucrânia criticou diretamente a postura de Bolsonaro a respeito do conflito. "Não apoio a posição dele de neutralidade. Não acredito que alguém possa se manter neutro quando há uma guerra no mundo", afirmou Zelenski.

Em mais de uma ocasião desde a invasão russa o mandatário brasileiro se disse neutro no conflito, ainda que o Brasil tenha sido crítico a Moscou em fóruns internacionais, como a ONU; o país condenou as ações do Kremlin em resoluções da Assembleia-Geral e do Conselho de Segurança —mas se absteve em votação que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos.

"Vamos pensar na Segunda Guerra. Muitos líderes ficaram neutros no começo dela", disse Zelenski. "Isso permitiu que os fascistas engolissem metade da Europa e se expandissem mais e mais. Isso aconteceu devido à neutralidade. Ninguém pode ficar no meio do caminho."

Bolsonaro não mencionou aos apoiadores detalhes da conversa que teve com Zelenski na segunda-feira (18). Quando disse à CNN, na véspera da ligação, que apresentaria a solução para o conflito, ele fez referência à Guerra das Malvinas, que completou 40 anos em abril e teve fim após as forças argentinas se renderam aos britânicos —mas não ficou claro se a rendição era a sugestão que ele faria ao ucraniano.

Zelenski, por sua vez, em tuíte após o telefonema, disse ter reforçado a Bolsonaro a importância das negociações para destravar as exportações de grãos do país de forma a "prevenir a crise global de alimentos provocada pela Rússia".

Também afirmou que atualizou Bolsonaro sobre a situação no front e finalizou o texto com a mensagem: "Convoco todos os nossos parceiros para que se juntem às sanções contra o agressor".

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