Bolsonaro diz que ex-aliado terá que provar acusação de vazamento de operação da PF

DANIEL CARVALHO E GUSTAVO URIBE
BRASILIA, DF, BRASIL, 19-05-2020, 08h00: O presidente Jair Bolsonaro conversa com apoiadores ao sair do Palácio da Alvorada na manhã de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta terça-feira (19) que o empresário Paulo Marinho, seu ex-aliado, terá que provar a acusação que fez à Folha de S.Paulo de suposto vazamento de uma investigação da Polícia Federal ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), seu filho.

"Ele vai ter que provar quem foi o delegado que teria dito para um assessor do meu filho", disse Bolsonaro em uma entrevista ao jornalista Magno Martins, responsável pelo Blog do Magno.

"Não e assim não. Você está mexendo com a honra das pessoas", afirmou o presidente.

Na entrevista a Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, o empresário disse que, segundo ouviu do próprio filho do presidente, um delegado da Polícia Federal antecipou a Flávio em outubro de 2018 que a Operação Furna da Onça, então sigilosa, seria realizada.

Essa operação, segundo ele, teria sido "segurada" para que não atrapalhasse Bolsonaro na disputa eleitoral. De acordo com o relato, Flávio foi avisado entre o primeiro e o segundo turnos por um delegado simpatizante da candidatura de Bolsonaro à Presidência.

Os desdobramentos da operação revelaram um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio e atingiram Fabrício Queiroz, policial militar aposentado amigo de Jair Bolsonaro e ex-assessor de Flavio na Assembleia.

O delegado-informante teria aconselhado ainda Flávio a demitir Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro. Segundo o relato, ambos foram exonerados em 15 de outubro de 2018 por ordem do então candidato Bolsonaro.

Na entrevista, transmitida ao vivo em uma rede social, Bolsonaro disse que "foi uma decisão da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal Regional [Eleitoral] adiar [a investigação] porque, naquele espaço de tempo, você não poderia prender ninguém", afirmou o presidente.

A Polícia Federal vai investigar o relato do empresário Paulo Marinho à Folha de S.Paulo sobre suposto vazamento de uma investigação da Polícia Federal ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Além de apurar o vazamento, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) a PF vai ouvir o depoimento de Marinho no inquérito já aberto para investigar, com base em acusações do ex-ministro Sergio Moro (Justiça), se o presidente Bolsonaro tentou interferir indevidamente na corporação.

O caso agora passa a ser objeto da investigação instaurada com autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) a partir do rompimento entre Moro e o presidente. Ainda não há data para esse depoimento.

Após apuração da PF nesse inquérito, a PGR avalia se haverá acusação contra Bolsonaro. Caso isso ocorra, esse pedido vai para a Câmara, que precisa autorizar sua continuidade, com voto de dois terços.

Em caso de autorização, a denúncia vai ao STF -que, se aceitar a abertura de ação penal, leva ao afastamento automático do presidente por 180 dias, até uma solução sobre a condenação ou não do investigado.