Bolsonaro diz que fez 'desabafo', que não ofendeu Moraes e que espera uma nova decisão sobre a PF

O presidente Jair Bolsonaro considerou chamou de desabafo o ataque ao ao  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Pela manhã, Bolsonaro disse que Moraes tomou uma decisão “política” ao suspender a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal e afirmou que o ministro foi indicado para a Corte porque mantinha “amizade” com o ex-presidente Michel Temer. Em transmissão ao vivo no Facebook na noite desta quinta-feira, o presidente disse que não ofendeu pessoalmente ninguém, nem nenhuma instituição.

— Eu fiz um desabafo hoje de manhã. Não ofendi pessoalmente ninguém, nem instituições. Tenho plena convicção disso. Apenas me coloquei no lugar do delegado da Polícia Federal Ramagem, que foi impedido por uma liminar monocrática do Supremo Tribunal Federal de tomar posse.

O presidente também disse que, "depois do desabafo, espera uma nova decisão do Supremo.

— Espero que depois do meu desabafo, que veio de coração pois somos todos humanos.  Espero que o senho Alexandre de Moraes, baseado no currículo (de Ramagem), reveja essa decisão.

Durante a transmissão ao vivo, Bolsonaro leu vários pontos do currículo do seu indicado para a PF,  entre eles que foi integrante da coordenação da operação da Lava-Jato no Rio e coordenador operacional da PF na Copa do mundo, além de superintendente no Ceará. No entanto, Ramagem foi nomeado supreintendente em fevereiro de 2019, mas não chegou a assumir porque aceitou o convite para ser assessor especial do general Santos Cruz, na Secretaria de Governo da Presidência.

Segundo Bolsonaro, o crime de Ramagem hoje é a proximidade dos dois. O presidente contou que a amizade entre eles começou quando o delagado da PF trabalhou na segurança dele durante a campanha eleitoral de 2018.

— Nasceu uma amizade assim, como acontece com pessoas com quem a gente trabalha. Ele tomava cafe da manhã com a gente. Depois foi ao casamento de um filho meu — disse para depois complementar:

— O crime dele hoje é ter participado da minha segurança, da proximidade comigo. Tenho certeza que com esse curriculo, a PF vai ter (com ele) ainda mais liberdade para fazer o seu trabalho.