Bolsonaro diz que Lula 'só ganha na fraude' e chama Renan de 'crápula'

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BRASÍLIA — Ao fim de uma semana em que uma pesquisa do Datafolha mostrou vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 e que a CPI da Covid indicar uma demora do governo federal em comprar vacinas, o presidente Jair Bolsonaro atacou nesta sexta-feira Lula e o relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Bolsonaro chamou Lula de "bandido" e disse que ele "só ganha na fraude", ao mesmo tempo em que chamou Renan de "crápula" e criticou os trabalhos da CPI.

— Um bandido foi posto em liberdade, foi tornado elegível. No meu entender, para ser presidente. Na fraude. Ele só ganha na fraude o ano que vem — disse o presidente, durante evento de entrega de títulos de propriedade em Terenos (MS).

Bolsonaro fez referência à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou as duas condenações que Lula havia sofrido, o que devolveu a elegibilidade ao ex-presidente. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada na quarta-feira, indicou que Lula lidera as intenções de voto para 2022 e venceria Bolsonaro no segundo turno por 55% a 32%.

O presidente voltou a defender o voto impresso e disse que, caso o Congresso aprove a proposta, "outros Poderes" terão que respeitar, em referência ao STF, que já considerou inconstitucional proposta semelhante.

— E eu tenho falado, se o Congresso Nacional votar e promulgar uma PEC do voto impresso, teremos voto impresso no ano que vem. Eleições dali para frente, só com o voto impresso. Eu respeito as decisões do Parlamento brasileiro. Os outros Poderes também têm que respeitar.

No mesmo discurso, Bolsonaro também criticou a composição e o escopo da CPI da Covid, destinada principalmente a investigar omissões do governo na pandemia. Sem mencionar o nome de Renan Calheiros, o presidente lembrou declaração em que o relator disse que o objetivo principal da comissão não é investigar falta de recursos.

— Faz uma CPI com aquela composição que puxa vida, para não falar puxa outra coisa, para apurar omissões no governo federal. Mas na hora de convocar governadores, ela é contra. E o crápula ainda diz: "essa CPI não é para investigar desvios de recursos".

Nesta semana, o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo e o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten prestaram depoimento e relataram a demora do Brasil em responder as ofertas de vacinas feitas pela farmacêutica.