Bolsonaro diz que nomeará novo diretor da Polícia Federal nesta segunda-feira

Amanda Almeida
Bolsonaro durante manifestação neste domingo em Brasília

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro disse, neste domingo, que vai nomear um novo diretor para a Polícia Federal nesta segunda-feira. Ele não antecipou qual é o escolhido para o lugar de Maurício Valeixo, cuja saída foi o estopim para a crise entre o presidente e o ex-ministro Sergio Moro.

No mesmo contexto, sem detalhar ao que estava se referindo, disse que fará valer a Constituição "a qualquer preço" e que não haverá mais conversa com seus "algozes". A declaração foi dada ao fim de um protesto em Brasília, que reuniu apoiadores do presidente na Praça dos Três Poderes. Como em outros atos, Bolsonaro desceu a rampa do Palácio do Planalto para cumprimentá-los. Em uma transmissão ao vivo no seu Facebook, disse que o protesto deu a "a certeza de que o povo quer realmente estar ao lado da verdade, do desenvolvimento, da democracia, da honestidade também".

E continuou:

— Vocês sabem que o povo está conosco. As Forças Armadas, ao lado da lei, da ordem, da democracia, da liberdade e da verdade, também estão ao nosso lado. Deus acima de tudo. Quanto aos algozes, peço a Deus que não tenhamos problema esta semana, porque chegamos no limite. Não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos. Faremos cumprir a Constituição. Será cumprida a qualquer preço. E ela tem dupla mão. Não é só de uma mão, não. Amanhã, nomeamos novo diretor da PF. E Brasil segue seu rumo.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a nomear Alexandre Ramagem, ligado à sua família, para o cargo, mas recuou depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar suspendendo a posse dele. Na decisão, Moraes acatou pedido do PDT, que argumentou que as relações entre Bolsonaro e Ramagem poderiam resultar em interferência do presidente na instituição.

Na quarta-feira, Bolsonaro disse que recorreria da decisão do ministro. O presidente diz que fará "de tudo" para que sua indicação seja aceita.

— Eu quero o Ramagem lá. É uma ingerência, né? Mas vamos fazer de tudo. Se não for, vai chegar a hora dele e eu vou colocar outra pessoa (...) É dever dela [AGU] recorrer, eu vou fazer de tudo para colocar o Ramagem — afirmou.