Bolsonaro diz que nunca acusou Anvisa de corrupção e que não havia motivo para ‘carta agressiva’ de Barra Torres

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    38.º presidente do Brasil

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro comentou pela primeira vez nesta segunda-feira a carta divulgada no sábado pelo presidente da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, em que exigiu que o chefe do Executivo se retratasse das suspeitas levantadas sobre o órgão envolvendo a liberação da vacina contra a Covid-19 para crianças. Em entrevista a rádio ‘Jovem Pan’, Bolsonaro disse que não acusou ninguém de corrupto e afirmou que não havia motivo para o tom agressivo de Barra Torres.

— Eu me surpreendi com a carta dele. Carta agressiva, não tinha motivo pra aquilo. Eu falei: ‘o que está por trás do que a Anvisa vem fazendo?’. Ninguém acusou ninguém de corrupto, tá? E, por enquanto, eu não tenho o que fazer pra tocante a isso aí — disse.

Em um comunicado divulgado no fim de semana, Barra Torres desafiou Bolsonaro a apresentar informações sobre o indício de corrupção no órgão, após em uma entrevista o presidente ter criticado a autorização dos imunizantes para a faixa etária de 5 a 11 anos, questionando “qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina.”

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar", escreveu Barra Torres.

O presidente da República disse que não interfere na Anvisa, mas admitiu ter questionado Barra Torres sobre a vacinação para crianças e voltou a defender que o órgão poderia atuar de maneira diferente. Bolsonaro disse que após nomeação para a agência o contra-almirante da Marinha ganhou “luz própria”.

— A Anvisa, ninguém sofre interferência, é um órgão independente, mas acredito que o trabalho poderia ser diferente, né? Agora ele (Barra Torres) pode rebater agora em cima dessa crítica. Quem decide é ele, eu sei que é ele que decide. Eu nomeei pra lá e depois da nomeação ele ganhou aí luz própria, né? — disse.

Em outro momento da entrevista, Bolsonaro disse que não conhecia Barros Torres além de sua vida militar e admitiu que se tivesse tido mais convivência talvez não o tivesse indicado para presidente da Anvisa.

— Não tinha conhecimento da vida pregressa do Barra Torres a não ser como militar e nada pesava contra ele. Não tinha convivência com ele. Se tivesse tido convivência, talvez não o indicasse. Não quero dizer com isso nenhuma crítica desabonadora em relação ao Barra Torres, muito pelo contrário — afirmou.

Apesar de dizer que nunca falou em desvios na Anvisa, Bolsonaro afirmou que “nenhum órgão está livre de corrupção” e citou a Operação Rarus da Polícia Federal, deflagrada em novembro, contra fraude de medicamentos de alto custo. A investigação apura se houve envolvimento de antigos dirigentes da Anvisa.

— Eu não acusei a Annvisa de corrupção, eu perguntei o que está por trás dessa gana, dessa sanha vacinatória. Até porque eu e o governo federal compramos até o momento em torno de quatrocentos milhões de doses de vacina. Mesmo proporcionalmente é um dos países que mais vacinou no mundo, tudo trabalho do governo federal. E eu sempre lutei pela liberdade da pessoa, quem quiser vacina toma, quem não quiser não toma — disse.

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