Bolsonaro diz que países críticos ao desmatamento no Brasil compram madeira ilegal do país

Daniel Gullino
·3 minuto de leitura

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, durante cúpula virtual dos Brics, que irá divulgar nos "próximos dias" os nomes de países que importam madeira extraída de forma ilegal do Brasil. De acordo com Bolsonaro, alguns desses países são os mesmos que criticam o Brasil pelo desmatamento.

— Estaremos revelando nos próximos dias países que têm importado madeira extraída de forma ilegal da Amazônia. E alguns desses países são os mais severos críticos ao meu governo no tocante a essa região amazônica. Creio que depois dessa manifestação, que interessa a todos, porque não dizer, no mundo, essa prática diminuirá em muito — disse Bolsonaro em sua fala.

O presidente disse que o Brasil está comprometido em diminuir a emissão de carbono e que o país sobre "injustificáveis ataques":

— Estamos comprometidos, também com ações, no tocante à emissão de carbono. Um assunto muito particular do Brasil, tendo em vista os injustificáveis ataques que recebemos tocante à nossa região amazônica.

Enquanto Bolsonaro falava sobre o desmatamento ilegal houve um problema na transmissão. Quando o sinal foi reestabelecido, ele ironizou a situação:

— Apenas uma coincidência, quando falei sobre Amazônia, da madeira, o sinal caiu. Com toda certeza, apenas uma coincidência.

Participam da cúpula os governantes dos cinco países que fazem parte do bloco: Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

Ao contrário do presidente da China, Xi Jinping, que minutos antes havia elogiado a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia do novo coronavírus, o presidente brasileiro criticou o órgão e disse que ele precisa ser reformado.

— Desde o início também critiquei a politização do vírus e o pretenso monopólio do conhecimento por parte da OMS, Organização Mundial da Saúde, qie necessita urgentemente, sim, de reformas — afirmou Bolsonaro.

Segundo o presidente, o combate à Covid-19 foi feito prioritariamente por cada país, e não por organismos internacionais:

— É preciso ressaltar que a crise demonstrou a centralidade das nações para a solução dos problema que hoje acometem o mundo. Temos que reconhecer a realidade que não foram os organimos internaiconais que superaram os desafios, mas sim a coordenação entre os nossos países.

Bolsonaro também defendeu reformas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em sua fala, Xi Jinping pediu apoio ao "papel crucial" da OMS e ressaltou o desenvolvimento, por parte de empresas chinesas, de uma vacina contra o coronavírus — destacando, inclusive, a parceria com o Brasil.

— O que é importante é colocar a vida das pessoas e a saúde em primeiro lugar. É importante organizar uma coordenação e resposta internacionais e apoiar o papel crucial da OMS. Enquanto falamos, empresas chinesas estão trabalhando coms seus parceiros russos e brasileiros na fase 3 dos testes clínicos da vacina — disse o chinês.

Já o presidente da Rússia, Vladimir Putin, elogiou a atuação na China durante a pandemia e pediu cooperação entre oa países do bloco:

— A China foi a primeira a sofrer com a pandemia e mostrou, desde então, que é possível combater com sucesso a pandemia. Gostaria de parabenizar você, senhor presidente (Xi Jinping), e todos os amigos chineses em como vocês conseguiram lidar com a pandemia. É um grande exemplo para outros — discursou Putin. — É importante que os países do Brics não se fechem, mas se abram uns aos outros para combater a pandemia.

Bolsonaro já disse que uma vacina feita por uma empresa chinesa não transmitiria "segurança suficiente para a população" porque "já existe um descrédito muito grande por parte da população" contra o país.