Bolsonaro diz que pandemia é "grave", mas repete que não há motivo para 'histeria'

Leandro Prazeres, Gustavo Maia, Daniel Gullino e Marcelo Corrêa
De máscaras, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que a pandemia causada pelo novo coronavírus é "grave", mas que não há motivo para "histeria". A declaração foi dada durante entrevista coletiva realizada por Bolsonaro e diversos ministros no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (18).

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“É uma questão grave, mas não podemos entrar no campo da histeria”, disse Bolsonaro ao ser questionado sobre a forma como ele vem lidando com o assunto. Até esta quarta, já são três mortes confirmadas por Covid-19 no Brasil, todas no Estado de São Paulo.

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“Esse sentimento de histeria passou a acontecer depois do dia 15 de março. A minha obrigação como chefe de Estado é se antecipar a problemas, levar verdade à população brasileira, mas que esse verdade não ultrapasse o limite do pânico”, disse o presidente.

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Desde o agravamento da crise causada pelo avanço do covid-19, Bolsonaro vinha dando declarações minimizando o impacto do novo coronavírus. Em 9 de março, por exemplo, ele disse que o assunto estava sendo "superdimensionado".

“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus. Então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica, mas acredito que o Brasil, não é que vai dar certo, já deu certo”, disse Bolsonaro.

No dia seguinte, em Miami (EUA), ele usou o termo fantasia para se referir ao assunto.

“Durante o ano que se passou, obviamente, temos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga. Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo”, afirmou o presidente.

CASOS

Os casos nacionais foram atualizados para 291, segundo o Ministério da Saúde, em coletiva feita na tarde de terça (17). Os estados que concentram mais casos são São Paulo, com 164 confirmações, e Rio de Janeiro, com 33 infectados confirmados pela Covid-19. Os dois estados também são os únicos a registrar transmissão comunitária - que ocorre quando não é mais possível saber a origem da infecção.

Enquanto isso, o número de casos suspeitos avançou para 8.819, crescimento de 6.755 na comparação com a véspera, diante de uma alteração na forma de checagem pelo ministério, que adotou uma classificação automatizada. Mais de 5.000 das suspeitas estão em São Paulo.

Além dos casos confirmados, o Ministério da Saúde contabilizava na terça-feira:

  • 8.819 casos suspeitos

  • 1.890 casos descartados

  • 28 pessoas estão hospitalizadas (10% do total)

A divulgação do Ministério da Saúde diz respeito aos casos confirmados que foram repassados para a pasta pelas secretarias de saúde dos Estados, até às 14h. A média de idade dos infectados no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é de 42 anos. Cerca de metade dos casos ocorreram em pacientes com menos de 40 anos - 144 casos.

Confira as tabelas:

IDADE

  • < 40 anos —————— 144 casos (50%)

  • 40-49 anos ————— 50 casos (17%)

  • 50-59 anos ————— 45 casos (16%)

  • 60-69 anos ————— 34 casos (12%)

  • > 69 anos —————— 12 casos (4%)

  • Não informado ——— 6 casos (2%)

SEXO

  • Feminino: 148 casos (51%)

  • Masculino: 142 casos (49%)

  • Não informado: 1 (0%)

Fonte: Ministério da Saúde