Bolsonaro diz que recusou vacina pela metade do preço: "Não vou comprar o que o povo não quer tomar"

·3 minuto de leitura
Brazil's President Jair Bolsonaro reacts during a review and modernization ceremony of occupational health and safety work at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil July 30, 2019. REUTERS/Adriano Machado     TPX IMAGES OF THE DAY
O Instituto Butantan alega que o preço de US$ 10 inclui não só o preço do imunizante, mas também o armazenamento e o transporte do produto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22) que o laboratório chinês Sinovac ofereceu ao governo federal a vacina Coronavac pela metade do preço cobrado pelo Instituto Butantan

  • No entanto, de acordo com entrevista dada à rádio Banda B, o presidente disse que recusou as vacina dizendo que não compraria "algo que a população não quer tomar"

  • O Instituto Butantan alega que o preço de US$ 10 inclui não só o preço do imunizante, mas também o armazenamento e o transporte do produto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (22) que o laboratório chinês Sinovac ofereceu ao governo federal a vacina Coronavac pela metade do preço cobrado pelo Instituto Butantan, responsável por desenvolver o imunizante no Brasil. 

No entanto, de acordo com entrevista dada à rádio Banda B, o presidente disse que recusou as vacinas. Bolsonaro justificou a decisão dizendo que não compraria "algo que a população não quer tomar" e ainda fez acusações contra o instituto.

Leia também:

"Por que a matriz nos oferece a vacina pronta a US$ 5 e eles, Butantan, ao receber o IFA da China, nos revende a US$ 10? Pode ser que não haja nada de errado nisso tudo, mas o Butantan nunca nos apresentou a planilha de preço. Pelo que tudo indica no momento é algo assustador", disse.

Nesta quinta-feira (22), Bolsonaro disse que governo enviou a proposta à Controladoria-Geral da União (CGU), ao Ministério da Justiça e ao Tribunal de Contas da União para apurar por que existe essa diferença nos preços e se há irregularidade no acordo de aquisição da vacinas.

"Não estou acusando de corrupção, de desvio, de nada, apenas uma documentação que chega aqui e nos traz enorme preocupação do que acontece no Butantan", disse Bolsonaro.

O Instituto Butantan já tinha dito que o preço de US$ 10 inclui não só o preço do imunizante, mas também o armazenamento e o transporte do produto. Procurado pelo Yahoo! Notícias para comentar a declaração de Bolsonaro desta quinta, o Butantan ainda não se pronunciou.

People wait in line outside a public school to get a shot of China's Sinovac CoronaVac vaccine in Serrana, Sao Paulo state, Brazil, Wednesday, Feb. 17, 2021. Brazil's Butantan Institute has started a mass vaccination on Wednesday of the city's entire adult population, about 30,000 people, to test the virus' behavior in response to the vaccine. (AP Photo/Andre Penner)
Na entrevista, Bolsonaro citou ainda que "a Coronavac não deu certo no Chile" e, por isso, talvez não desperte mais o interesse do governo federal (Foto: AP Photo/Andre Penner)

Coronavac no Chile

A Coronavac tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil. De acordo com o Butantan, a eficácia da Coronacac atingiu 50,7% com 14 dias de intervalo entre as duas doses.

Além disso, a eficácia global, que aponta a capacidade que o imunizante tem de proteger em casos leves, moderados ou graves, pode chegar a 62,3% se o espaço entre as duas doses for de 21 dias ou mais.

Na entrevista, Bolsonaro citou ainda que "a Coronavac não deu certo no Chile" e, por isso, talvez não desperte mais o interesse do governo federal.

"Em São Paulo, o pessoal pergunta [antes de se vacinar] qual vacina está disponsível, e se é Coronavac, a tendência é não tomar", afirmou Bolsonaro, sem apresentar provas.

Ele declarou que se o governo chegar à conclusão de que vale a pena investir na Coronavac, a proposta da China pela metade do preço pode interessar.

Só 2% dos que tomaram Coronavac contraíram coronavírus

No último dia 15, porém, um estudo feito no Chile, pela Universidad Católica, mostrou que entre as 2.300 pessoas que participaram dos estudos clínicos da Coronavac no país, apenas 45 se contagiaram com a Covid-19, equivalente a 2% dos imunizados com a vacina da SinoVac

O levantamento mostra que a CoronaVac é capaz fazer com que o corpo desenvolva anticorpos que bloqueiam a entrada do coronavírus nas células.

Por outro lado, a pesquisa indica que, após seis meses da aplicação da primeira dose, os níveis anticorpos neutralizantes e os linfócitos T, que combatem a infecção pelo coronavírus, começam a cair. Isso indicaria a necessidade de uma dose de reforço.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos