Bolsonaro diz que relação com China está 'normal' e que chineses 'precisam muito mais' do Brasil

João de Mari
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Bolsonaro fala à imprensa depois de votar no RJ - Foto: SBT/Reprodução
Bolsonaro fala à imprensa depois de votar no RJ - Foto: SBT/Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou neste domingo (29) que a relação do país com a China segue “normal” e que os chineses “precisam muito mais do Brasil” do que o inverso, referindo-se à importação de produtos brasileiros.

A fala do presidente ocorre após uma semana tensa com representantes do país asiático decorrentes das publicações ofensivas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair.

“Não tem problema nenhum com a China. Nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós. Eles tem 1,4 bilhão para alimentar, tem se tornado mais urbana que rural, compram muitas commodities. O chinês está consumindo cada vez mais proteína e todo mundo quer o bem do seu povo e nós queremos do nosso", disse Bolsonaro.

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A declaração foi feita por Bolsonaro durante sua presença na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde votou no segundo turno das eleições 2020.

O presidente ainda causou aglomeração, fez selfies e tirou a máscara para falar com apoiadores. Além disso, Bolsonaro voltou a falar de fraude nas eleições de 2018, mesmo sem apresentar provas, e defender o voto impresso em 2022.

Eduardo Bolsonaro e China

Eduardo Bolsonaro fez uma postagem no Twitter, na noite de segunda-feira (23), na qual comemorava a suposta adesão do Brasil à iniciativa Redes Limpas e disse que o Brasil se aliaria aos Estados Unidos para criar uma rede 5G "sem espionagem da China". No dia seguinte apagou a postagem. O governo brasileiro não aderiu oficialmente, apenas manifestou apoio.

A embaixada da China fez, no dia seguinte, uma reclamação formal ao governo brasileiro contra a publicação de Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

"Na contracorrente da opinião pública brasileira, o deputado Eduardo Bolsonaro e algumas personalidades têm produzido uma série de declarações infames que, além de desrespeitarem os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil", diz um trecho de uma nota divulgada nesta terça-feira pela embaixada.

Na quarta-feira (25), o Itamaraty, do Ministério das Relações Exteriores, defendeu Eduardo enviado uma carta à embaixada da China no Brasil com críticas a forma como a representação do país asiático reagiu às publicações feitas pelo deputado em uma rede social.

Deputados protocolaram, na quinta-feira (26), requerimento pedindo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que paute o “afastamento imediato” de Eduardo da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa, após o embate entre o deputado e a China.