Bolsonaro diz que tem alto número de anticorpos contra Covid e que 7/9 "não terá violência"

Jair Bolsonaro durante cerîmônia em 1º de setembro de 2021 (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante cerîmônia em 1º de setembro de 2021 (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

Resumo da Notícia:

  • Em sua live semanal, Bolsonaro afirmou que o "movimento" pedirá o "respeito à Constituição", citando o Supremo Tribunal Federal

  • "Eu espero que uma ou duas pessoas mudem seu comportamento depois desse movimento. Porque, se não mudar, fica difícil a convivência, segundo disse o próprio ministro Fux"

  • Bolsonaro, que ainda não se vacinou contra a covid-19, disse que está com alto nível de anticorpos, segundo os seus exames recentes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender, nesta quinta-feira (2), que as manifestações favoráveis a ele no 7 de setembro não terão episódios de violência. Em sua live semanal, Bolsonaro afirmou que o "movimento" pedirá o "respeito à Constituição", citando o Supremo Tribunal Federal – sem, no entanto, atacar diretamente os ministros, como fez anteriormente.

Durante a transmissão, o presidente também revelou estar com um alto número de anticorpos contra a covid-19 e disse não saber se foi infectado recentemente. Ao mesmo tempo, ironizou a Coronavac ao dizer que está "muito melhor do que o pessoal que tomou" o imunizante, apesar de não ter se vacinado.

Leia também:

A poucos dias do feriado da Independência, Bolsonaro usou parte da live para enaltecer o que ele chama de "movimento", em referência aos manifestantes, e disse que as "pessoas vão com seus familiares para mostrar a todos os Poderes, sem exceção, que eles estão preocupados com o que está acontecendo no Brasil".

"Ninguém precisa temer esse movimento. Nunca se teve notícia de depredação de prédio, [pessoas] tacando fogo em banco", afirmou. "Hoje eu vi o ministro [Luiz] Fux dizendo algo parecido com 'só há democracia se tiver respeito à Constituição'. Parabéns, ministro, é exatamente isso que nós queremos. Você está convidado a participar comigo no movimento", ironizou.

Na sequência, Bolsonaro voltou a reclamar da decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, de desmonetizar conteúdos de pessoas investigadas por propagar desinformação – os alvos são apoiadores do governo que disseminaram notícias falsas e ataques contra o sistema eleitoral em plataformas digitais.

"Infelizmente, em Brasília, uma ou outra autoridade não está respeitando o artigo 5º da nossa Constituição. Liberdade de expressão é sagrada e tem que ser respeitada. Não pode um ou dois em Brasília dizerem que o que você está falando não é verdade, que vai ser preso, censurado, sofrer busca ou apreensão. Isso não existe."

Ele afirmou que será uma manifestação "nunca vista no Brasil". "Eu espero que uma ou duas pessoas mudem seu comportamento depois desse movimento. Porque, se não mudar, fica difícil a convivência, segundo disse o próprio ministro Fux", acrescentou Bolsonaro. "Se a foto [da manifestação] não sensibilizar essa pessoa, pelo amor de Deus."

Bolsonaro também fez referência a uma suposta cumplicidade entre os ministros do Supremo Tribunal Federal e insinuou que um deles está buscando uma "ruptura".

"Se um deputado ou senador está dando problema, o normal é os pares falarem pra ele que ele está falando besteira. No Supremo tem que ser a mesma coisa. Se um lá tá fora da curva, o presidente, ou seus pares, têm que chegar e falar 'meu irmão, você tá causando transtorno, você tá provocando, buscando uma ruptura. Estamos contigo, mas não estamos em tudo.' Não é pra dizer 'mexeu com um ministro, mexeu com todos'."

O presidente disse não ter causado essa "desarmonia" e negou a possibilidade de comandar um golpe institucional. "Tem idiota achando que vou dar golpe. Sou presidente: vou dar golpe em mim mesmo? É muita idiotice. Dizem que ele vai impor uma ditadura, controlar as mídias sociais... o barbudo acabou de falar isso aí e não acontece nada. Imagina se eu falo", disse, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT), que recentemente afirmou sua intenção de regular os meios de comunicação.

"Eu não acredito em invasão de prédio nenhum, nenhum ataque a nenhuma instituição, Supremo, Câmara, Senado, Presidência. São críticas pontuais que, no meu entender, são muito bem-vindas", acrescentou, fazendo referência à urna eletrônica. "É confiável, impenetrável? Não dá para aperfeiçoar?", questionou o presidente.

Ainda sobre o tema, Bolsonaro também citou rapidamente a presença de policiais na manifestação e criticou eventuais punições sobre os agentes – que são proibidos, por lei, de participarem de manifestações políticas enquanto estiverem na ativa.

"'PMs bolsonaristas devem ser identificados e expulsos'", leu o presidente, em referência a um texto aparentemente jornalístico. "Você vai pegar um cabo da PM, sargento, capitão, e vai expulsar o cara? Isso aqui é ditadura. É um crime o que estão fazendo. Querem esvaziar o movimento. E o policial à paisana, de folga, ele está ajudando a segurança passiva do evento", alegou.

Alto nível de anticorpos

Bolsonaro, que ainda não se vacinou contra a covid-19, disse que está com alto nível de anticorpos, segundo os seus exames recentes. Segundo ele, o nível do anticorpo Imunoglobulina G (IgG) em seu organismo é 991.

"Eu não sei por quê. Nem sei se peguei lá atrás, se peguei de novo e não fiquei sabendo, porque não me senti mal nem nada", disse Bolsonaro, acompanhado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "Estou com 991. É uma boa defesa?", perguntou o presidente a Queiroga, que respondeu afirmativamente.

Mais tarde, acompanhado do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, voltou no assunto e ironizou a Coronavac, vacina patrocinada pelo seu rival político, o governador João Doria (PSDB-SP).

"Estou muito bem, muito melhor que pessoal que tomou Coronavac por aí. O que aconteceu comigo? Não sei? Eu faço exames periódicos, deu esse resultado aí. Lógico que equipe médica (...) está analisando por que estou com IgG 991. É melhor que o pessoal que tomou Coronavac", repetiu.

Apesar das ironias, Bolsonaro foi encorajado por Marcos Pontes a tomar alguma das vacinas que estão sendo desenvolvidas no Brasil. "Que tal tomar uma vacina basileira?", questionou Pontes. "Eu tomar a vacina do Marcos Pontes? Posso pensar, Marcão", respondeu o presidente.