Bolsonaro diz que tomará hidroxicloroquina e ivermectina se pegar Covid de novo

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***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro participa da primeira Feira Brasileira do Nióbio, em Campinas.  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro participa da primeira Feira Brasileira do Nióbio, em Campinas. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (14) que, se for reinfectado pelo coronavírus, fará novamente o chamado tratamento precoce e "ponto final".

Estudos mostram, porém, que o uso de remédios do "kit covid", como hidroxicloroquina e ivermectina, não apenas não tem efeito no tratamento da Covid-19 como pode trazer graves efeitos colaterais (conheça drogas que funcionam contra a Covid, as que não funcionam e as que estão em teste).

A defesa do governo do tratamento precoce é uma das principais linhas de investigações da CPI da Covid no Senado, que está na reta final. O relatório deve ser apresentado na próxima terça-feira (19).

"Eu falo aqui, olha, se eu for novamente hoje reinfectado, eu vou tomar hidroxicloroquina e ivermectina, ponto final. É a minha vida que está em jogo", disse Bolsonaro, em entrevista a uma rádio de Pernambuco.

O presidente afirmou também na entrevista que, se o médico não prescrever os medicamentos, procurará outro.

Ainda na entrevista desta manhã, Bolsonaro disse que "centenas de milhares [de pessoas] aqui no Brasil poderiam estar vivas hoje em dia, se tivessem feito o tratamento precoce". Ele afirmou também que "não há notícia" de quem tenha se submetido ao uso dos medicamentos e tenha morrido.

A declaração não tem respaldo científico. O Brasil tem hoje mais de 600 mil mortes pelo coronavírus.

O mandatário disse ainda que o governo prepara um estudo sobre ivermectina e hidroxicloroquina que será "notícia bomba favorável" ao tratamento precoce. Ele não deu detalhes, mas disse que será revelado nos próximos dias.

Os riscos gerados pelo consumo desses remédios durante a pandemia já foram alertados repetidas vezes por especialistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o FDA, órgão regulador de medicamentos, divulgou em agosto um alerta de que a ivermectina, droga antiparasitária usada também em animais, não deve ser tomada contra a Covid.

"Você não é um cavalo", disse o órgão em uma campanha lançada nas redes sociais. "Você não é uma vaca. Sério, vocês todos. Parem com isso."

Bolsonaro também insistiu em questionar a eficácia da vacina, ainda que o Brasil tenha atingido na quarta-feira a positiva marca de 100 milhões de cidadãos totalmente imunizados (esquema vacinal completo com duas doses ou com uma dose única, no caso do imunizante da Janssen).

"A vacina ainda é uma interrogação", disse o mandatário, que na terça (12) afirmou que não vai se vacinar.

"E essas pessoas que tiveram comigo nos Estados Unidos e foram vacinadas, por que contraíram a doença? Elas estavam transmitindo, eu não. Meu IgG [imunoglobulina G, um anticorpo] de 30, 40 dias atrás estava em 991. Por que que eu tenho mais anticorpos que pessoas vacinadas?", questionou.

Os anticorpos adquiridos com a contaminação do coronavírus não necessariamente tornam a pessoa totalmente imunizada, por isso cientistas recomendam a vacinação mesmo para quem já pegou a covid-19.

As declarações do presidente foram dadas em entrevista à rádio evangélica Novas de Paz, de Pernambuco. O apresentador e demais participantes, como a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC), também defenderam o uso do tratamento precoce. Não foi feito qualquer contraponto.

A conversa, que durou quase uma hora, foi a primeira a uma rádio local em mais de um mês.

Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário da pasta Élcio Franco são os três personagens centrais do relatório da CPI da Covid, que apura erros e omissões do governo durante a pandemia. O tratamento precoce e a demora na aquisição de vacinas foram investigados pelos senadores.

O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), disse à Folha de S.Paulo que já há especificação de 11 crimes e vários agravantes em seu texto.

Em relação ao chefe do Executivo, que o senador chama de "mercador da morte", afirma que está clara e comprovada a sua participação em crimes e que por isso não há dúvida s de que será responsabilizado.

Na entrevista desta terça-feira, o presidente aproveitou para criticar a CPI em mais de um momento e disse que ela está prestando um "desserviço".

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