Bolsonaro diz que usou auxílio-moradia para 'comer gente'

Paulo Lopes/Futura Press

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltou a defender o recebimento de auxílio-moradia da Câmara, mesmo tendo imóvel próprio em Brasília. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidenciável disse que pretende vendê-lo e pedir apartamento funcional. Leia aqui a entrevista na íntegra.

Questionado se usou o dinheiro do benefício para comprar seu apartamento, ele respondeu: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

No domingo (7) o jornal publicou que o deputado e seus três filhos parlamentares multiplicaram o patrimônio na política, reunindo atualmente 13 imóveis em áreas valorizadas do Rio e de Brasília, com preço de mercado de cerca de R$ 15 milhões.

“Chegando lá em janeiro, acabando o recesso [parlamentar], vou pedir o apartamento funcional, inclusive tem mais ou menos 60m2 o meu apartamento, vou passar para um de 200m2, espero que pegue com hidromassagem, ok? Eu vou morar numa mansão, não vou pagar segurança, não vou pagar IPTU, no meu eu pago, não vou pagar condomínio, no meu eu pago, eu vou ter paz”, respondeu Bolsonaro à reportagem do jornal.

Quando questionado se em algum momento o dinheiro que recebia de auxílio-moradia foi utilizado para pagar o apartamento ele respondeu: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora? (…)O dinheiro que entra do auxílio-moradia eu dormia em hotel, eu dormia em casa de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver mil, tem cabimento isso?”

O presidenciável criticou o fato de o jornal ter divulgado o valor do patrimônio da sua família. “Você tem que divulgar é o meu patrimônio. Daqui a pouco vão querer pegar minha mãe, com 91 anos de idade. Começar a levantar a vida dela. (…) Tem que pegar o meu. Esquece meus filhos. Se o meu filho assaltar um banco agora ou ganhar na Mega Sena, é problema dele, não é meu”, argumentou.