Bolsonaro diz que vai a debates eleitorais desde que não falem em 'coisas de família'

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SAO PAULO, BRAZIL - JUNE 19: A demonstrator stands with boards depicting Jair Bolsonaro (L) and his son (R) as prisoners during a protest against Bolsonaro's administration on June 19, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Brazilian president Jair Bolsonaro is facing a probe for pandemic mismanagement as the country counts 500,022 deaths of COVID. The controversial decision to host the Copa America 2021 amid the coronavirus crisis is questioned by a large part of the population. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)
Sátira em protesto contra o governo do presidente Bolsonaro, em São Paulo, em que estão representados ele e os filhos. Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images.
  • 'É pra falar do meu mandato', disse o presidente

  • Ele diz que não poderá aceitar provocações

  • Dois de seus filhos são investigados em esquema de rachadinha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que irá participar dos debates da campanha eleitoral de 2022, o que evitou durante a corrida de 2018. Em entrevista à Rede TV, fez apenas uma ressalva: que não quer ser questionado sobre sua família.

“É para falar do meu mandato. Até a minha vida particular fique à vontade, mas que não entrem em coisas de família, amigos, que não vai levar a lugar nenhum”, disse na conversa, que vai ao ar nesta quinta-feira (25).

Para ele, isso seria uma provocação, que foge do tema do debate.

“Agora eu pretendo participar. Não pude, na última, porque estava convalescendo ainda. Da minha parte não vai ter guerra, mas não posso aceitar provocação, coisas pessoais, porque daí você foge da finalidade de um bom debate”, afirmou.

Recentemente, o presidente se retirou de uma entrevista ao vivo com o portal Jovem Pan, assumidamente bolsonarista, ao ser questionado pelo empresário Paulo Marinho, que participava do programa, sobre as acusações de rachadinha que pesam sobre sua família.

“Ô, Marinho, você sabe que eu sou presidente da República. Eu respondo sobre meus atos, tá OK? Então não vou aceitar provocação tua”. E completou, irritado: “O teu pai é o maior interessado na cadeira do Flávio Bolsonaro! Não vou discutir contigo!”. Paulo Marinho é suplente do filho 01 do presidente no Senado.

Acusações de rachadinha

Flávio é acusado de liderar uma organização criminosa para recolher parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio. A prática, conhecida como "rachadinha", consiste na exigência feita a assessores parlamentares de entregarem parte de seus salários ao parlamentar.

O filho do presidente foi denunciado à Justiça em novembro de 2020 sob a acusação de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Os promotores de Justiça apontaram o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, amigo do presidente Bolsonaro e então assessor de Flávio, como operador do esquema.

Segundo a denúncia, a prática ocorria em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde exerceu o mandato de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019. Quando o escândalo veio à tona, no final de 2018, Flávio estava eleito para uma cadeira no Senado.

Flávio não é o único investigado pelo crime. Em setembro deste ano, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) em investigação sobre desvio de recursos públicos em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio.

A investigação foi aberta por indícios de que esses funcionários lotados no gabinete de Carlos aparentemente não prestavam serviço para o vereador, conhecidos como “funcionários fantasmas”.

Segundo os promotores, o esquema revela saques de dinheiro em espécie das contas dos assessores “fantasmas”, e que são entregues a funcionários de confiança do gabinete responsáveis pela arrecadação. O dinheiro vivo é usado para pagar despesas ou adquirir bens para o parlamentar.

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