Bolsonaro é alvo de um pedido de impeachment por semana

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alvo de oito pedidos de impeachment na última semana, a mais letal da pandemia de coronavírus no Brasil. Somadas, as solicitações contra o chefe do Executivo na Câmara dos Deputados chegaram a 111, média de uma por semana no mandato.

Em fevereiro, segundo a revista Época, Bolsonaro ultrapassou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e tornou-se o presidente que mais recebeu pedidos de afastamento.

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Deposta em 2016, Dilma foi alvo de 68 solicitações, seguida por Lula (37), Michel Temer (31), Fernando Collor (29), Fernando Henrique Cardoso (24) e Itamar Franco (4).

Na última quinta-feira (8), o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Senado deve instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis omissões do governo federal durante a pandemia do novo coronavírus.

Barroso deu o parecer ao analisar uma ação apresentada pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) para a instalação da comissão no Senado. Os dois conseguiram o apoio de 29 companheiros de casa, dois a mais que exigido pelo regimento da casa.

Mesmo com as assinaturas necessárias para a instauração da CPI, o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), vinha resistindo a instalá-la.

"Defiro o pedido liminar para determinar ao Presidente do Senado Federal a adoção das providências necessárias à criação e instalação de comissão parlamentar de inquérito", afirmou Barroso, que também lembrou que não cabe análise de conveniência política do presidente da Casa para determinar a abertura da CPI.

Bolsonaro subiu o tom e reclamou que a CPI "não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia". No entanto, o presidente omite que o Senado tem competência para fiscalizar o governo federal. No caso dos governos estaduais, caberia às Assembleias Legislativas a fiscalização do uso das verbas.

"Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política", afirmou.