Em 1º encontro com Biden, Bolsonaro levanta suspeita sobre eleições no Brasil e diz que preserva Amazônia; veja vídeo

No primeiro encontro com o líder americano, Joe Biden, o presidente Jair Bolsonaro levantou suspeitas sobre as eleições brasileiras, disse querer "eleições limpas, confiáveis e auditáveis", mas evitou falar sobre o pleito americano. Em declarações à imprensa antes de manter uma reunião a portas fechadas com seu homólogo americano, Bolsonaro disse que o Brasil preserva a Amazônia e, citando seu afastamento de Biden "por questões ideológicas", destacou, no entanto, que ambos são democratas.

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— Este ano teremos eleições no Brasil e queremos sim eleições limpas, confiáveis e auditáveis. Para que não reste nenhuma dúvida após o pleito. Tenho certeza que ele será realizado nesse espírito democrático. Cheguei pela democracia e tenho certeza de que, quando deixar o governo, também será de forma democrática.

Bolsonaro — que dois dias antes da viagem a Los Angeles, onde acontece a Cúpula das Américas, voltou a afirmar em uma entrevista que ainda duvidava do resultado da eleição americana em 2020 — evitou falar sobre a votação americana, em que seu favorito declarado, o republicano Donald Trump, foi derrotado pelo democrata Biden.

O brasileiro também afirmou que o Brasil é "um exemplo para o mundo na questão ambiental" e disse que o mundo depende "muito do Brasil" para sua sobrevivência, reiterando que seu governo preserva a Amazônia, apesar das críticas constantes de ambientalistas e dados que revelam recordes de desmatamento.

— Temos uma riqueza no coração do Brasil, a nossa Amazônia, que é maior que a Europa Ocidental. Por vezes nos sentimos ameaçados em nossa soberania naquela área, mas o Brasil preserva muito bem o seu território. — afirmou. — Nossa legislação ambiental é bastante rígida. Fazemos o possível para cumpri-la, pelo bem de nosso país. Podemos ser o maior exportador de energia limpa. O mundo hoje, ouso dizer, depende muito do Brasil para sua sobrevivência.

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Biden, por sua vez, deu as boas-vindas a Bolsonaro e disse que o resto do mundo deveria ajudar a financiar a preservação da Amazônia. Descontraído, o americano disse que o Brasil "é um país maravilhoso", com "um povo magnífico" e "instituições fortes", e foi extremamente simpático com o chefe de Estado brasileiro.

— Nós temos de ajudar a recuperação econômica e também a questão climática. Vocês tentam proteger a Amazônia, acho que o resto do mundo deveria ajudar a financiar essa preservação. Isso é uma responsabilidade muito grande. Nós temos que conectar nossos povos, e estou ansioso para saber o que o senhor pensa sobre isso. Gostaria de ouvir sua opinião e também levantar algumas questões de interesse mútuo — disse Biden. — Nossas nações compartilham valores e temos enormes oportunidades para os nossos países.

Divergências ideológicas

Apesar do clima leve, pouco antes do encontro, Bolsonaro esclareceu que só aceitou ir à reunião porque os dois lados acertaram uma agenda, comparando a relação dos dois países a um casamento. No encontro, ele citou suas divergências ideológicas, mas afirmou ter "um interesse enorme e cada vez maior de se aproximar dos EUA".

— Em alguns momentos, nos afastamos por questões ideológicas, mas tenho certeza que, com nossa chegada ao governo, nunca tivemos uma oportunidade tão grande pelas afinidades que nossos governos têm — afirmou Bolsonaro no encontro. — Temos muita coisa em comum, por exemplo, amamos a liberdade, somos democratas, comungamos dos mesmos valores, queremos o bem dos nossos povos e a paz no mundo.

Sobre a guerra na Ucrânia, Bolsonaro afirmou que seu governo sempre adotou "uma posição de equilíbrio" e disse a Biden que estava "à disposição para colaborar na construção de uma saída deste episódio".

— Queremos a paz. Tudo faremos para que a paz seja alcançada. Lamentamos os conflitos, mas eu tenho um país para administrar. E, pela sua dependência, temos de sempre ser cautelosos. As consequências da pandemia, com a equivocada política do fica em casa, agravada por uma guerra há dez mil quilômetros de distância do Brasil, têm consequências econômicas danosas, em especial para os mais humildes, que enfrentam uma inflação em alimentos e energia.

Apenas na quarta-feira o governo brasileiro confirmou que o presidente estaria no evento, acompanhado do chanceler Carlos França, que não participou de um encontro de ministros convocados para definir os acordos que serão assinados pelos chefes de Estado.

Desde antes da posse do democrata, em janeiro de 2021, a relação entre os dois líderes é fria, devido a divergências políticas e à proximidade do mandatário brasileiro com o ex-presidente Trump, a quem declarou apoio aberto na eleição americana de 2020.

O presidente brasileiro foi um dos últimos líderes mundiais a reconhecer a vitória de Biden sobre Trump, o que só fez 35 dias depois das eleições, em dezembro de 2020. Além disso, adotou o discurso do republicano de que pode ter havido "fraude" no pleito, apesar de não existir qualquer evidência pública que endosse a acusação.

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