Bolsonaro e Mandetta ignoram recomendação de uso de máscara contra coronavírus

PHILLIPPE WATANABE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, quebraram os protocolos sanitários estabelecidos pelo próprio Ministério da Saúde e por órgãos internacionais de saúde quanto ao uso de máscaras.

Durante coletiva de imprensa, nesta quarta (18), Bolsonaro e Mandetta, conforme iam falar ao microfone, tiravam a máscara.

A indicação é que usem máscaras somente pessoas que estão com sintomas ou que estão no mesmo ambiente de pessoas doentes.

A repórter da Rede Globo Delis Ortiz, sem máscara, chegou a perguntar o motivo da presença de máscaras na coletiva. Bolsonaro tergiversou e falou que não descumpre "qualquer orientação sanitária do nosso ministro da saúde". "Eu dou o exemplo", afirmou o presidente.

Em seguida, o ministro da Saúde disse que todas as autoridades estavam com máscara porque tiveram contato com o general Augusto Heleno (ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional), que teve diagnóstico confirmado de Covid-19.

"Faz parte você proteger a cadeia de comando. Todos aqui, nas últimas 48 horas, tivemos trabalho em mesas ao lado do nosso querido general Heleno, um elemento de coesão para todos os ministérios", afirmou Mandetta.

O ministro da saúde disse ainda que a medida era também uma forma de proteger os jornalistas presentes na coletiva.

As orientações das autoridades de saúde é que as pessoas evitem aglomerações e que, caso tenham contato com algum caso confirmado de Covid-19, fiquem em observação e isolamento domiciliar.

Mandetta disse ainda que Bolsonaro, em voo recente, não estava sentado próximo ao general Heleno.

"Estarem todos de máscara significa que alguém daquela mesa está doente? Se está doente não deveria estar ali", afirma Maurício Nogueira, virologista e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

Segundo o virologista, além do discurso oficial de prevenção contra o novo coronavírus, as autoridades devem observar os exemplos que dão. "A mensagem de um agente público não respeitando os protocolos de saúde acaba diminuindo a mensagem falada de preocupação com a doença", afirmou.

Nogueira diz que, com exceção do ocorrido na coletiva desta quarta, o Ministério da Saúde tem tido atitudes de profissionalismo com a divulgação de informações.

Não é a primeira vez que Bolsonaro desrespeita as orientações sanitárias. No domingo (15), contrariando as instruções de evitar aglomerações, o presidente se aproximou de manifestantes em Brasília, teve contato com eles e chegou a tirar selfies com rosto próximo. Bolsonaro também passou o dia compartilhando imagens de protestos a seu favor país afora.