Bolsonaro e Moraes ficam frente a frente 2 dias após ação da PF contra empresários

Bolsonaro e Moraes estiveram frente a frente durante a posse da nova presidente da Corte, Maria Thereza de Assis Moura. (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Bolsonaro e Moraes estiveram frente a frente durante a posse da nova presidente da Corte, Maria Thereza de Assis Moura. (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Dois dias após a operação da Polícia Federal que atingiu empresários ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL), autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e criticada pela vice-procuradora-Geral da República, Lindôra Maria Araújo, os três se encontram na tarde desta quinta-feira no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Bolsonaro, Moraes e Lindôra estiveram frente a frente durante a posse da nova presidente da Corte, Maria Thereza de Assis Moura.

A operação que mirou empresários bolsonaristas suspeitos de compartilharem mensagens golpistas em um grupo de WhatsApp foi deflagrada na última terça-feira e determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os empresários alvos da operação integravam um grupo de WhatsApp no qual foi discutida a realização de um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencesse as eleições. As conversas virtuais foram reveladas em reportagem do site "Metrópoles".

Nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira o que chamou de "agressão à liberdade de expressão".

Em publicação em suas redes sociais, Bolsonaro citou os trechos da Constituição que tratam sobre liberdade de expressão e afirmou que a agressão a ela é "típica daqueles que se dizem ESTADISTAS, mas posam ao lado de DITADORES".

Apesar de o presidente não ter feito menção à operação, o argumento de que teria sido um atentado à liberdade de expressão tem sido utilizado por aliados para criticar a operação

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

Na quarta-feira, Bolsonaro já havia criticado a operação, também fazendo uma relação com a "turminha da carta pela democracia". Em tom irônico, Bolsonaro cobrou um posicionamento dos grupos que assinaram, há duas semanas, manifestos em prol da democracia.

— Somos ainda um país livre. Eu pergunto a vocês: o que aconteceu no tocante aos empresários agora? Esses oito empresários. Dois eu tenho contato com eles: Luciano Hang e Meyer Nigri. Cadê aquela turminha da carta pela democracia? A gente sabe que época de campanha continuam lobos em pele de cordeiro. Acreditar que eles são democratas e nós não somos? Cadê a turminha da carta pela democracia? — disse o presidente, durante evento de campanha em Betim (MG).

A operação também gerou um novo desentendimento entre a PGR e Moraes. Nesta quarta-feira, a vice-procuradora-geral da República Lindora Araújo fez críticas à atuação de Moraes no caso, por não ter aguardado um posicionamento da PGR antes de determinar as medidas cautelares. Moraes intimou a PGR na segunda-feira, quando já havia proferido a decisão da operação.

"É absolutamente inviável que medidas cautelares restritivas de direitos fundamentais, que não constituem um fim em si mesmas, sejam decretadas sem prévio pedido e mesmo sem oitiva do Ministério Público Federal. Ora, é o Parquet quem deve verificar a necessidade/utilidade das medidas cautelares, aferindo-o sob uma ótica de viabilidade para a persecução penal", diz o documento.

por Mariana Muniz e Alice Cravo, do O Globo