Bolsonaro e Netanyahu conversam sobre cooperação para desenvolver remédio contra Covid-19

Eliane Oliveira e Gustavo Maia
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O presidente Jair Bolsonaro conversou nesta sexta-feira com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre a possibilidade de cooperação entre os dois países no desenvolvimento de um remédio contra a Covid-19. Trata-se de um medicamento em formato de spray inalável originalmente destinado ao tratamento do câncer de ovário, que apresentou resultados preliminares positivos em pacientes com coronavírus. Até o momento, no entanto, ainda não foi realizado nenhum ensaio clínico.

O medicamento EXO-CD24 foi aplicado em 30 pacientes que tinham Covid-19. Destes, 29 se recuperam, de acordo com pesquisadores do centro médico Ichilov, de Tel Aviv. Os pesquisadores agora farão uma pesquisa com grupo de controle, onde metade das pessoas recebe o remédio e metade recebe um placebo. O Brasil poderia participar desta fase e da eventual produção em massa do medicamento, de acordo com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.

— Falamos sobre a cooperação para esse remédio também, tentar desenvolver junto e trazer para o Brasil. E também algumas palavras sobre a vacina israelense. Nós temos uma guerra contra coronavírus e estamos juntos — declarou o diplomata israelense, que participou da conversa junto a Bolsonaro e ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Da parte brasileira, o entendimento após o contato com Netanyahu foi que pode haver uma "cooperação ampla" em saúde pública.

Durante transmissão ao vivo pela internet na noite desta quinta-feira, Bolsonaro anunciou o encontro virtual com o primeiro-ministro de Israel, no qual eles falariam "sobre esse novo spray que está servindo para, pelo menos experimentalmente, para pessoas em estado grave".

Antes mesmo da realização da pesquisa, no entanto, Bolsonaro afirmou que o governo já está em contato com os israelenses para trazer o remédio ao Brasil:

— Já estamos trabalhando com o nosso ministro Ernesto Araújo e com mais gente do nosso governo também tratando dessa questão, com o hospital lá de Israel que está desenvolvendo esse possível remédio [...] E eu quero trazer para cá. Obviamente, trazer para cá, pegar a documentação, dar entrada na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], porque não é eu que vou fazer isso aqui. A Anvisa reconheceu que existe realmente a possibilidade de cura, que o efeito colateral é infinitamente pequeno, nós vamos autorizar esse spray aqui no Brasil.

O presidente então fez uma comparação equivocada, dizendo que o remédio está "na mesma situação" que as vacinas que já estão sendo utilizadas. Os imunizantes, no entanto, passaram por testes com testes clínicos com milhares de pessoas e tiveram a eficácia comprovada.

— Não tem a comprovação científica, assim como as vacinas não tem ainda um certificado definitivo, está na mesma situação desse outro remédio.

Bolsonaro afirmou que não se pode pensar "só na vacina" e que é preciso também buscar remédios para tratar quem já foi infectado:

— Quando eu falei remédio lá atrás, levei pancada. Bateu em mim até não querer mais. “E a vacina?”. Entrou na pilha da vacina. O cara que entra na pilha da vacina, só da vacina, é um idiota útil. Nós devemos ter várias opções. (Para) Quem está contaminado, não adianta a vacina.