Bolsonaro efetiva troca de empresário por militar no comando da Secretaria de Comunicação da Presidência

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SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demitu o empresário Fabio Wajngarten da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República. Como a Folha já havia antecipado, o substituto é o almirante Flávio Rocha, atual chefe da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), que deve acumular as duas funções. A mudança foi publicada na edição desta quinta-feira (11) do Diário Oficial da União. Por ora. Rocha assume o cargo de forma interina. A tendência é a de que a Secom, pelo menos por enquanto, siga subordinada ao Ministério das Comunicações, de Fábio Faria. O almirante e o ministro são próximos e, no início do mês, viajaram juntos em missão diplomática para Ásia e Europa. Segundo pessoas ligadas ao presidente, Faria foi o responsável por articular a ida do almirante para a Secom e, por isso, a troca não significa uma militarização da comunicação do governo, apesar de Rocha ainda estar na ativa. A saída de Wajngarten ocorre após um histórico de desentendimentos do empresário com a imprensa, com sua própria equipe, com Fábio Faria e também com o gabinete da Presidência da República. Neste último caso, os desentendimentos ocorreram principalmente devido à política de comunicação durante a pandemia do coronavírus. Bolsonaro demonstrava descontentamento com o empresário. Às vésperas de ser demitido, Wajngarten fez parte da delegação brasileira liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que viajou a Israel para conhecer o spray nasal desenvolvido pelo Hospital Ichilov (Tel Aviv) contra a Covid. O medicamento ainda está em fase inicial de testes. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, também fez parte da comitiva. A coluna Painel, da Folha, revelou no início deste mês que a Polícia Federal mirou Wajngarten em julho de 2020 com um pedido de busca e apreensão. Havia a suspeita de que o governo federal, por meio da Secom, repassava de forma indireta dinheiro de publicidade para páginas bolsonaristas que incentivaram atos antidemocráticos. A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou contra a solicitação, sob o argumento de que não havia lastro mínimo concreto que justificasse a ação policial e que as buscas poderiam ser substituídas por medidas menos invasivas. Em outro caso que envolve o agora ex-secretário, a Folha revelou no ano passado que Wajngarten recebia, por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de televisão e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo federal. Antes da alteração, o presidente pretendia nomear Wajngarten para um posto de assessor especial da Presidência da República, provavelmente em São Paulo, para onde o secretário costuma viajar com frequência, um dos motivos de seu desgaste no governo.