Bolsonaro espera que Trump entenda posição do Brasil sobre aço

Nesta foto de 19 de março de 2019, o presidente americano, Donald Trump (D), recebe o colega brasileiro, Jair Bolsonaro, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC

O presidente Jair Bolsonaro descartou nesta segunda-feira (2) que o anúncio da imposição de tarifas americanas às importações de aço e alumínio do Brasil seja uma medida de "retaliação", e se disse "quase convencido" de que seu aliado Donald Trump ouvirá suas reivindicações.

Trump justificou a medida pelo impacto negativo das recentes depreciações do real e do peso para os produtores dos Estados Unidos.

"A alegação dele, no Twitter dele, é a questão das commodities, a nossa economia basicamente vem das commodities, é o que nós temos. Espero que tenha o entendimento dele, que não nos penalize no tocante a isso, e tenho quase certeza de que ele vai nos atender", disse o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.

Bolsonaro reiterou o já havia dito mais cedo, que poderia conversar com o presidente dos Estados Unidos a respeito de sua decisão.

"Se for o caso, ligo para o Trump, eu tenho um canal aberto com ele", disse Bolsonaro, que é um admirador declarado do presidente americano, falando a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro disse ainda que vai consultar seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

A decisão de Trump atinge tanto o Brasil quanto a Argentina, que acaba de eleger Alberto Fernández, um presidente de centro-esquerda, e representa um duro golpe para o governo Bolsonaro.

A decisão de Trump "fornece munição para a oposição no Brasil", disse Bolsonaro em entrevista à rádio.

Os Estados Unidos são o primeiro cliente de produtos de aço semi-acabados brasileiros.

A moeda brasileira desvalorizou 5% desde o início de novembro em relação ao dólar, superando sucessivos mínimos históricos.

Na semana passada, pela primeira vez um dólar passou de 4,27 reais, contra 4,01 no início de novembro.

Nesta segunda-feira, o dólar foi cotado a 4,22 reais.

A depreciação, segundo analistas, deve-se principalmente às incertezas causadas pela guerra comercial entre a China e os Estados Unidos e às dúvidas dos investidores sobre a capacidade do governo brasileiro de continuar com seu plano de reformas pró-mercado.

Trump havia anunciado no início de 2018 a implementação de tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio, mas depois retirou vários países da lista, inclusive Brasil e Argentina.