“Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos”, diz um dos principais apoiadores da candidatura do presidente em 2018

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Presidente Jair Bolsonaro em evento no Palácio do planalto
Presidente Jair Bolsonaro foi internado hoje após sentir dores abdominais (AP Photo/Eraldo Peres)
  • “Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos”, diz Paulo Marinho, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo

  • "Arrisco dizer que ele vai ser preso pelos crimes que já cometeu e ainda vai cometer até final do mandato", afirma ele, um dos principais apoiadores de Bolsonaro em 2018

  • Ex-aliado diz que presidente mostra destempero com denúncias de corrupção na compra de vacina

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o empresário Paulo Marinho (PSDB) afirma que o presidente Jair Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos diante dos desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Ex-aliado do presidente e suplente do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Marinho diz que Bolsonaro mostra destempero diante das suspeitas de irregularidades nas compras de vacinas, por ter consciência do risco de derrota na corrida presidencial de 2022.

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"Conheço a peça. O capitão Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos", diz Marinho, chegando a afirmar que Bolsonaro vai ser preso caso não se reeleja.

"O capitão Bolsonaro vai enfrentar a Justiça. E arrisco dizer que vai ser preso pelos crimes que já cometeu e ainda vai cometer até final do mandato."

Marinho, que conviveu diariamente com Bolsonaro entre julho de 2017 e outubro de 2018, diz não ter dúvidas de que o presidente tentará virar a mesa ante a ameaça de uma derrota em 2022.

"O capitão vai tentar dar um golpe com as milícias, que é o grupo que o acompanha desde o início da sua vida política. Gracas a Deus, esse grupo não tem tamanho para mudar a história da democracia brasileira. Ele acha que tem. Mas não tem."

Paulo Marinho em depoimento no Senado (Foto: Agência Senado)
Paulo Marinho em depoimento no Senado (Foto: Agência Senado)

Em 2018, Marinho transformou parte de sua casa em um estúdio de programa eleitoral para a campanha de Bolsonaro à Presidência da República. Nesse período, ele conta que, certa vez, o então candidato exasperou-se ao tentar, por mais de 20 vezes, gravar uma mensagem para a propaganda eleitoral.

"O capitão tem uma dificuldade imensa de se expressar. Quando a gente estava na minha casa gravando os programas de televisão, primeiro, ele não usava o teleprompter, ele não sabia se comunicar com o teleprompter. Tinha uma dificuldade de ler e falar. Ficava evidente que ele estava lendo."

Marinho também afirma que tem provas das contradições de Bolsonaro.

"Na campanha eleitoral, o capitão batia no peito na minha casa e dizia 'temos que acabar com o foro privilegiado'. A primeira coisa pela qual o Flávio Bolsonaro e o pai dele lutaram, quando o problema bateu à porta da família, foi pelo foro privilegiado para o Flávio. Isso vai ser julgado nas eleições", diz.

O presidente Jair Bolsonaro foi internado em no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, na madrugada desta quarta-feira (14) para realizar exames, após sentir dores abdominais.

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