Bolsonaro estuda mudar mais três ministros em breve

Redação Notícias
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Brazilian President Jair Bolsonaro (L) and his Minister of the Environment Ricardo Salles gesture during a military event in Sao Paulo, Brazil on October 11, 2019.  (Photo by Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)
Jair Bolsonaro e Ricardo Salles em evento em 2019 (Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)

A reforma ministerial conduzida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante esta semana pode não ter acabado. Ele teria dito a aliados que mais três ministros - Ricardo Salles (Meio Ambiente), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Gilson Machado Neto (Turismo) - devem deixar os cargos nos próximos dias.

A informação é do colunista Kennedy Alencar, do UOL.

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Após mudar seis ministérios na segunda (confira abaixo a lista completa), Bolsonaro tem discutido com aliados do Centrão, incluindo os dois presidentes das casas - o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), os nomes que assumiriam as pastas.

A articulação em volta dos três cargos em questão daria mais benefícios a Bolsonaro, que já garantiu pontos com o Centrão na segunda (29), ao indicar a deputada Flávia Arruda (PL-DF) para a Secretaria de Governo após o remanejamento do General Luiz Eduardo Ramos para a Casa Civil.

Já para o Senado, conta a favor de Bolsonaro a mudança no Ministério das Relações Exteriores após Ernesto Araújo tentar expor a presidente da Comissão de Relações Exteriores da casa, Kátia Abreu (PP-TO). 

CONFIRA O QUE MUDOU NA REFORMA MINISTERIAL DO GOVERNO BOLSONARO

Secretaria de Governo

  • Sai: General Luiz Eduardo Ramos

  • Assume: Deputada Flávia Arruda (PL-DF)

Casa Civil

  • Sai: General Walter Souza Braga Netto

  • Assume: General Luiz Eduardo Ramos

Ministério da Defesa

  • Sai: General Fernando de Azevedo e Silva

  • Assume: General Walter Souza Braga Netto

Ministério das Relações Exteriores

  • Sai: Ernesto Araújo

  • Assume: Carlos Alberto Franco França

Ministério da Justiça

  • Sai: André Mendonça

  • Assume: Delegado da PF Anderson Gustavo Torres

AGU (Advocacia-Geral da União)

  • Sai: José Levi

  • Assume: André Mendonça

MUDANÇAS OCORREM APÓS LIRA CITAR 'REMÉDIOS AMARGOS'

As mudanças fazem parte de uma reforma ministerial menos de uma semana depois de o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter subido o tom contra o governo e afirmado que, se não houver correção de rumo, a crise da pandemia pode resultar em "remédios políticos amargos" a serem usados pelo Congresso, alguns deles fatais.

Essa foi a primeira vez que Lira fez menção, mesmo que indireta e sem especificar, à ameaça de CPIs e de impeachment contra o presidente da República, em um momento em que Bolsonaro tenta atrair Legislativo e Judiciário para a coordenação da pandemia.

Líder do centrão e aliado de Bolsonaro eleito neste ano para a presidência da Câmara com apoio do presidente, Lira falou no risco de uma "espiral de erros de avaliação", disse que não estava "fulanizando" e que se dirigia a todos os que conduzem órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia.

O QUE DISSE BOLSONARO SOBRE AS TROCAS NOS MINISTÉRIOS?

Secretaria de Governo

Sobre as mudanças desta segunda-feira, o presidente disse que, por ser presidente da CMO (Comissão Mista de Orçamento), Flávia Arruda tem bom trânsito com os pares. Além disso, é uma mulher e uma opção para substituir Ramos.

Ministério da Defesa

Já a demissão de Azevedo do Ministério da Defesa pegou de surpresa generais que integram o alto comando do Exército. Alguns deles ligavam a TV sintonizados em canais de notícias para entender o que estava ocorrendo. Generais se reuniram na semana passada em Brasília com o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, e a demissão do ministro não estava no radar desses militares.

Em carta logo após a demissão, o general agradeceu o presidente e disse que, "nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado".

"O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida", afirmou o agora ex-ministro, em nota.

Baixas 'ideológicas' no Planalto

Nos últimos dias, incomodados com a condução do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia da Covid-19, líderes do centrão reforçaram os pedidos para que o presidente trocasse auxiliares considerados ideológicos, sob pena de perder apoios no Congresso e até nas eleições de 2022.

Um episódio de desgaste na relação de Lira com Bolsonaro envolveu a troca do general Pazuello no Ministério da Saúde. O nome chancelado pelo presidente da Câmara era o da cardiologista ​Ludhmila Hajjar, mas Bolsonaro optou pelo cardiologista Marcelo Queiroga.

A aliança Bolsonaro-centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha eleitoral, de que não se renderia ao que chamava de a velha política do "toma lá, dá cá".

Para atender o centrão e ajudar na eleição de Lira para o comando da Câmara, o governo fez promessas de liberação de bilhões em emendas parlamentares e chegou a cogitar até a recriação de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da máquina pública.

Além disso, ao mesmo tempo em que reforçava a militarização de seu governo ao entregar cargos como a presidência da Petrobras a um general, Bolsonaro decidiu arejar seu núcleo duro nas últimas semanas e levar nomes do centrão para o Palácio do Planalto, local onde trabalham seus principais conselheiros.

Azevedo é o segundo militar demitido no intervalo de apenas duas semanas. Antes, o general da ativa Eduardo Pazuello foi trocado pelo médico Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde.

Auxiliares de Azevedo dizem que havia insatisfação do general com declarações de Bolsonaro a respeito das Forças Armadas e uma avaliação de que ele tentava tratar o Exército como uma instituição a serviço do governo dele e não um instrumento de estado.

É por isso, avaliam fardados, que Azevedo fez questão de frisar na nota em que confirmou sua demissão que no período ele preservou "as Forças Armadas como instituições de estado".

Da mesma foram, assessores palacianos afirmam que o presidente também se sentia incomodado com Azevedo pelo fato de o agora ex-ministro já ter entrado em campo para contemporizar falas dele a respeito dos militares.

Segundo integrantes do Planalto e líderes do centrão, a conversa entre o presidente e o ex-ministro foi rápida, mas dura. Bolsonaro teria dito que estava insatisfeito com Azevedo, reclamou da atuação do auxiliar e abriu a possibilidade de ele se demitir.

Repercussão no STF após saída de Azevedo e Silva

No STF (Supremo Tribunal Federal), a demissão de Azevedo foi vista com preocupação. Antes de assumir o ministério, o general era assessor do então presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli. Na época, ele estabeleceu boa relação com os ministros e manteve contato com eles depois de ir para o governo.

Integrantes da corte lembram que, quando Bolsonaro insinuava acionar o Exército para resolver em seus embates políticos, era Azevedo quem entrava em contato com os ministros da corte para afirmar que as Forças Armadas respeitam a Constituição e não concordam com a ideia de um novo golpe de Estado.

Isso aconteceu mais de uma vez. No desgaste gerado pela revelação do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas de que discutiu com integrantes do Alto Comando a publicação de um tuíte com tom de ameaça ao STF antes do julgamento que levou à prisão de Lula em 2018, por exemplo, Azevedo procurou o presidente do Supremo, Luiz Fux, para apaziguar os ânimos.

No tribunal, a expectativa é que o chefe do Executivo escolha um substituto com perfil parecido do antecessor, que mantinha diálogo com os demais poderes e não reforçava as ideias da ala ideológica do governo.