Bolsonaro fala com caminhoneiros, mas não pede que suspendam manifestações

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Caminhoneiro Francisco Burgardt dá entrevista coletiva após encontro com Bolsonaro no Palácio do Planalto

(Repete texto sem alterar, apenas para ajustar título)

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de reunião com o presidente Jair Bolsonaro, um grupo de caminhoneiros que segue mobilizado na Esplanada dos Ministérios deixou o encontro repetindo o discurso contra o Supremo Tribunal Federal, disse que se mantém mobilizado até ser recebido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e que Bolsonaro não pediu que deixassem a manifestação.

O grupo, que não têm lideranças claras entre a categoria, foi recebido no Palácio do Planalto por Bolsonaro e pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. No grupo estavam também os deputados Major Vitor Hugo (PSL-GO) e Carla Zambelli (PSL-SP).

Depois do encontro, Zambelli afirmou que o presidente manifestou a eles preocupação com o impacto da paralisações entre as pessoas mais pobres, mas os caminhoneiros negaram que Bolsonaro tenha pedido a eles que suspendessem a mobilização e os bloqueios de estradas.

"O presidente não nos pediu nada, estamos em uma visita de cortesia. Presidente foi muito cordial. Estamos avançando para construir uma agenda que seja positiva para o país", disse a jornalistas, no Palácio do Planalto, Francisco Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro.

Nenhum dos caminhoneiros recebidos por Bolsonaro apresentou uma pauta clara de reivindicações ou falou de temas que importam à categoria, como o aumento dos combustíveis. Ao contrário, negaram que esse fosse o tema das paralisações, apesar de ter aparecido ao longo dos últimos dias nos bloqueios pelo país.

"Não temos nada com preço de combustíveis nesse momento. Estamos mobilizados pela liberdade, direito de expressão, de manifestação. O povo brasileiro está infelizmente sendo impedido de se manifestar e se posicionar em várias questões e precisamos que isso seja respeitado", disse Burgardt, repetindo o discurso de Bolsonaro.

Burgardt afirmou que a mobilização continuará até que o grupo seja recebido pelo presidente do Senado, o que não teria acontecido até agora, mas não foi claro sobre qual a pauta haveria para entregar a Pacheco.

"Isso é uma coisa que está sendo elaborada, para ser entregue direto a ele, eu não posso adiantar as reivindicações", respondeu ao ser questionado sobre o que o grupo queria tratar com o senador.

O último boletim do Ministério da Infraestrutura aponta que ainda há pontos de concentração de caminhoneiros em 13 Estados, mas não há bloqueios de vias.

Na noite de quarta-feira, Bolsonaro enviou um áudio para representantes da categoria pedindo que suspendenssem os bloqueios porque uma paralisação nesse momento traria impactos negativos para a economia.

Nas redes bolsonaristas, no entanto, houve quem duvidasse da veracidade do áudio e quem acusasse o presidente de traidor, enquanto um dos líderes do movimento, Zé Trovão, anunciava que seria preso nas próximas horas no México, para onde havia fugido.

Trovão é um dos acusados no inquérito que apura a organização dos atos do 7 de Setembro de forma ilegal, conspirando para atacar as instituições democráticas.

Ao sair do encontro, Major Vitor Hugo afirmou que ele e outros deputados bolsonaristas irão entrar com um Habeas Corpus em benefício de Zé Trovão.

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