Bolsonaro fala em 'vírus do pavor' e diz que parece que só morre gente de Covid-19 no Brasil

DANIEL CARVALHO
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  01-08-2019 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 01-08-2019 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Nesta quinta-feira (4), quando o consórcio de veículos de imprensa registrou 1.786 pessoas mortas por Covid-19 no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que "parece que só morre gente de Covid no Brasil" e que a população está sendo atingida pelo "vírus do pavor".

"Eu lamento qualquer morte, mas parece que só morre gente de Covid no Brasil. Outras pessoas estão morrendo por outras doenças porque ficam em casa com medo, com pavor. O vírus do pavor foi inoculado nessas pessoas", afirmou o presidente em sua live semanal, desta vez ao lado do ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

A declaração desta noite vem na esteira de outras falas proferidas por Bolsonaro ao longo desta quinta, quando a média móvel de óbitos bateu recorde pelo sexto dia.

Mais cedo, em evento com pessoas aglomeradas e sem máscara em São Simão (GO), disse: "Vocês não ficaram em casa, não se acovardaram. Nós temos que enfrentar os nossos problemas".

"Chega de frescura e de mimimi, vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar obviamente os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai, onde vai parar o Brasil se nós pararmos? A própria bíblia diz, que em 365 citações, ela diz: não temas", afirmou o presidente no mesmo ato.

À noite, na live, disse ainda que "tomando os cuidados, em especial os mais idosos, com comorbidade, tem que tocar a vida, que o empobrecimento leva à morte também".

Bolsonaro também usou a transmissão para rebater críticas pelo ritmo lento de vacinação no Brasil. Apenas 3,62% da população brasileira recebeu a primeira dose até agora.

"Desde meados do ano passado, o Brasil vem contratando laboratórios buscando vacinas. Alguns teimam em dizer que nós não nos preocupávamos com vacina", afirmou o presidente.

"Agora vêm essas narrativas que somos negacionistas, não acreditamos em vacinas, aquela história toda para boi dormir, como fizeram na minha campanha em 2018, dizendo que eu era racista, misógino, éramos um montão de coisas, e nada daquilo o povo acreditou que era verdade, que não podiam acreditar, e nós vencemos as eleições", afirmou.

Nos últimos meses, porém, Bolsonaro deu diversas declarações em que questionava a segurança e a eficácia das vacinas e disse que não se vacinaria.

De acordo com Bolsonaro, o Brasil contratou até agora 400 milhões de doses até janeiro de 2022 e há outros 178 milhões de doses em negociação.

"Neste mês de março agora teremos, no mínimo, 20 milhões de doses disponíveis. E para o mês seguinte, teremos, no mínimo, mais 40 milhões de novas doses", disse Bolsonaro.