Bolsonaro faz 1º ato de campanha em Juiz de Fora e fala de milagres e socialismo

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  04-08-2022, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado da primeira dama Michelle Bolsonaro e do ministro da Defesa General Paulo Sérgio Nogueira, durante cerimônia de cumprimento aos oficiais generais recém promovidos, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 04-08-2022, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado da primeira dama Michelle Bolsonaro e do ministro da Defesa General Paulo Sérgio Nogueira, durante cerimônia de cumprimento aos oficiais generais recém promovidos, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciou sua campanha eleitoral, nesta terça-feira (16), com um encontro com lideranças religiosas no Aeroclube de Juiz de Fora (MG). A elas, falou em milagres, disse que o Brasil marchava para o socialismo e prometeu queda na taxa do desemprego.

Bolsonaro estava acompanhado de seu vice, ex-ministro da Defesa, general Braga Netto, da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, do coordenador de campanha, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de candidatos locais, como o senador Carlos Viana (PL), que disputa o governo mineiro.

"O Brasil estava à beira de um colapso, com problemas éticos, morais e econômicos, e marchava, sim, a passos largos para o socialismo", afirmou o chefe do Executivo.

Em seu discurso à plateia de religiosos, ele falou ainda em três milagres: sobrevivência à facada, em 2018; sua eleição; e ter formado uma equipe de ministros "não aceitando pressões partidárias".

Pressionado por gestão na pandemia da Covid-19, inclusive por uma CPI no Senado, o mandatário se aliou ao centrão. Além de se filiar ao PL de Valdemar Costa Neto, hoje o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é um dos principais aliados. A Casa Civil, principal pasta do governo, está sob Ciro Nogueira, dirigente do PP.

Bolsonaro também voltou a lembrar de igrejas fechadas, durante a pandemia, quando estados e municípios implementaram políticas de isolamento social para impedir o avanço do coronavírus.

Em sua fala, ele disse ainda que a economia estaria recuperando. Prometeu redução da taxa de desemprego para 8% (hoje está em 9,2%) em setembro, e defendeu o prêmio Nobel da Economia para seu ministro Paulo Guedes.

"Empregos, também, [estão] aparecendo. Próximo mês, tenho certeza, vamos entrar na casa dos 8%, Ninguém podia esperar isso, a não ser o PG [Paulo Guedes], que trabalhou arduamente nessa questão. Que merece o prêmio Nobel de economia", disse.

Depois do ato com religiosos no aeroclubede Juiz de Fora, realizou uma motociata e deve seguir para o calçadão Halfeld, onde sofreu a facada há quatro anos. Também deve discursar em um trio elétrico no local.

A campanha eleitoral começa oficialmente nesta terça-feira (16), a 45 dias do primeiro turno. Pesquisas de intenção de voto mostram o chefe do Executivo em segundo lugar.

De acordo com o levantamento do Ipec, divulgado na segunda-feira (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44% contra 32% de Bolsonaro.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, a campanha do candidato do PL começa com sua equipe otimista com a expectativa de colher impacto eleitoral com a melhora de indicadores econômicos e o pagamento de benefícios sociais recém-aprovados.

Nesta primeira etapa da campanha, a estratégia será intensificar agendas nos estados do Sudeste, para buscar consolidar seu desempenho nos maiores colégios eleitorais do país, e tentar reverter a rejeição entre jovens e mulheres.

Para isso, a campanha aposta numa maior presença da primeira-dama , em eventos eleitorais e em viagens.

Na semana que antecedeu o início oficial da campanha, Bolsonaro e seus aliados tiveram um momento de alívio com a indicação de melhora em pesquisas internas. A campanha atribui a mudança especialmente à queda na inflação e no preço dos combustíveis.

A aposta do entorno do mandatário é que ele deve crescer nos levantamentos nas próximas semanas, com queda na inflação e pagamentos de benefícios sociais turbinados, no valor total de R$ 41,25 bilhões, às vésperas da eleição.

Na esteira da queda no preço dos combustíveis e da energia elétrica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou deflação (queda de preços) de 0,68% em julho. É a menor taxa já registrada desde 1980.

A queda, contudo, ficou concentrada especialmente em transportes e habitação. Os alimentos e as bebidas subiram 1,3% no período. A comida cara castiga sobretudo o bolso dos mais pobres, faixa do eleitorado em que o presidente tem mirado para melhorar o seu desempenho.

No último dia 9, mais de 20 milhões de famílias passaram a receber R$ 600 do Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família. O montante será pago até o final do ano. O aumento do valor do benefício está no mesmo pacote que dobrou o valor do vale-gás e concedeu um auxílio a caminhoneiros autônomos.

Nesse quadro, os recentes atos de leitura de cartas em defesa da democracia, que contaram com o apoio de importante parcela do empresariado, foram minimizados pela campanha de Bolsonaro. Aliados do mandatário classificaram o movimento como "petista".

A estratégia do entorno do presidente para fazer frente às adesões aos textos pró-democracia é dobrar a aposta nos atos bolsonaristas previstos para o 7 de Setembro.

A expectativa é conseguir no Dia da Independência uma forte adesão de apoiadores e, dessa forma, projetar força nas ruas. Bolsonaro e aliados intensificaram na última semana as convocações para as manifestações do feriado.

As agendas de Bolsonaro nesta primeira semana ficarão focadas nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Dos mais de 156 milhões de brasileiros aptos a votar neste ano, quase 67 milhões estão na região Sudeste. ​