Em live, Bolsonaro pede à Globo dez minutos para falar sobre o caso Marielle

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Resumo da notícia

  • Bolsonaro se diz "admirado com tanto patrocinador na Globo"

  • Presidente diz que Witzel "se acha o gostosão" e fala que governador do Rio agiu como criança ao comemorar morte de sequestrador

Por Marcos Tordesilhas

Jair Bolsonaro utilizou boa parte de sua live semanal no Facebook para atacar a TV Globo e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), após a emissora divulgar que seu nome apareceu no inquérito que investiga a morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Gomes – o presidente acusa Witzel de ter vazado a informação.

A polêmica envolve o depoimento de um porteiro do condomínio onde mora Jair Bolsonaro e o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, um dos suspeitos da morte de Marielle e Gomes.

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Lessa teria se encontrado com o ex-policial militar Élcio Queiroz, também acusado pelas mortes, em 14 de março de 2018, dia das execuções, no condomínio. De acordo com o depoimento do porteiro, Élcio disse na portaria que iria à casa de Jair Bolsonaro – que, segundo mostram os registros da Câmara dos Deputados, estava em Brasília nesse mesmo dia. E Élcio se dirigiu à residência de Lessa, ainda segundo o depoimento do porteiro.

O caso foi divulgado pela TV Globo na última terça-feira (29), no Jornal Nacional, rendendo uma live exaltada de Bolsonaro, que se defendeu da acusação e atacou a emissora com palavrões. Na transmissão em questão, ele acusou Witzel de ter vazado o processo, que corre em segredo de justiça, à Globo.

Nesta quinta (31), Bolsonaro disse que a Globo faz um jornalismo "canalha, sem escrúpulo" e disse desafiar a emissora para que ele fale ao vivo na Globo sobre o assunto, por dez minutos.

"Como vocês bem disseram, eu estava em Brasília nesse dia. Ainda bem que teve presença no painel, senão eu teria que me virar nos 30 para provar que estava em Brasília", afirmou Bolsonaro. "Se disseram que eu não estava lá, porque colocaram meu nome?", questionou.

"O que vocês [Globo] querem comigo, vocês não vão ter. Aquela mordomia que tinha no passado, com anúncio de estatais, bancos, não vai ter mais. Esse dinheiro público não é pra dar pra vocês."

Em seguida, o presidente mencionou as empresas que anunciam na emissora, se dizendo "admirado" com "tanto patrocinador na Globo". "Será que o pessoal não pensa? 'Estou patrocinando uma empresa que mente, faz fake news o tempo todo.' Eu teria vergonha, se fosse um grande empresário do Brasil, de anunciar quase coisa na Globo."

Bolsonaro ainda atacou a programação da emissora, dizendo que ela "esculacha a família 24 horas" e afirmou que tem um "encontro" com a Globo em 2022, quando a rede terá que renovar sua concessão para difusão. "Não é perseguição. Pague tudo que deve para não ter problema. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Tem que estar em dia para renovar a concessão. Estou avisando antes."

Witzel

Enquanto criticava a Globo pela divulgação da reportagem, Bolsonaro atacou Witzel, potencial rival do presidente nas eleições de 2022, dizendo inclusive que foi avisado pelo próprio governador de que seu nome estava citado no processo. A conversa teria acontecido durante um encontro entre os dois em 9 de outubro, em uma festa de um ministro em Brasília.

Bolsonaro disse não ter dúvidas de que Witzel vazou o processo à Globo.

"Por que Witzel trabalha contra mim, se nós o elegemos? Ele era um ilustre desconhecido. Duvido quem conhecesse ele. É porque ele botou na cabeça que quer ser presidente da República. Nada contra, quem tem mais de 35 anos e não deve à Justiça Eleitoral, que encontre um partido e concorra. Mas ele botou na cabeça que tem que me destruir, me associar com corrupção, execuções, essa velha narrativa de miliciano", criticou Bolsonaro, que em seguida chegou a chamá-lo de "criança".

"Ele potencializa os processos contra a minha família e tentou fazer o mesmo agora. Witzel, você perdeu. E que vexame, você foi vaiado agora em Campos (RJ), com grito de traidor. Jogou tudo fora, podia ter feito uma carreira bonita num estado sofrido como o Rio de Janeiro que agora está no cara que tem como interesse o poder pelo poder. Se acha o gostosão. Saltou de helicóptero na Ponte Rio-Niterói no dia quando o sniper executou (...) naquele sequestro. Apareceu vibrando, agindo como criança."