Bolsonaro ignora de novo eleição de Biden e Mourão diz que presidente felicitará eleito na 'hora certa'

JULIA CHAIB
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) evitou, mais uma vez, comentar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em encontro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada na manhã desta segunda-feira (9). Este é o terceiro dia consecutivo em que Bolsonaro ignora publicamente a derrota do presidente Donald Trump. Biden, adversário do republicano, foi declarado vencedor na tarde do último sábado (7). A postura do presidente brasileiro contrasta com a de outros líderes mundiais que já parabenizaram o democrata pela eleição. Até agora, segundo auxiliares diretos de Bolsonaro ouvidos pela Folha de S.Paulo, a decisão do mandatário é a de só felicitar Biden e se manifestar publicamente sobre o pleito após a conclusão de disputas judiciais e recontagens de votos solicitadas por Trump. O republicano ainda não reconheceu a derrota e alega ter sido alvo de uma fraude eleitoral. Pode levar semanas para que haja o desfecho desses questionamentos. Diferentemente do Brasil, os EUA não têm uma autoridade eleitoral nacional, e o vencedor é declarado por projeções da mídia do país. Nesta segunda, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que Bolsonaro cumprimentará Biden "na hora certa". "A forma como se desenrolam as coisas nos EUA é diferente do Brasil, [lá] não tem tribunal eleitoral, essas coisas todas. Então, julgo que o presidente está aguardando terminar esse imbróglio aí, de discussão se tem voto falso, se não tem voto falso, para dar o posicionamento dele", disse Mourão. "E acho que é óbvio que o presidente na hora certa vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito", continuou. Questionado sobre se a demora do país em reconhecer a vitória de Biden não poderia prejudicar a relação do Brasil com os Estados Unidos, Mourão admitiu que um "novo relacionamento" deve ser estabelecido com os americanos, numa indicação de que espera a confirmação da vitória de Biden. "Não julgo que corra risco [de prejudicar a relação], acho que, vamos aguardar, né? É uma questão prudente. Eu acho que essa semana define as questões que estão pendentes, as coisas voltam ao normal e a gente se prepara para o novo relacionamento que deve ser estabelecido", avaliou. Bolsonaro torcia publicamente pela reeleição de Trump. Ao contrário do presidente brasileiro, o premiê britânico, Boris Johnson, um dos principais aliados do presidente Donald Trump na Europa, cumprimentou Biden pela vitória. Além de Boris, publicaram mensagens de parabéns nas redes sociais o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o premiê de Portugal, António Costa, e o governo alemão, chefiado pela chanceler Angela Merkel. Na América Latina, líderes também já felicitaram Biden, como os presidentes Alberto Fernández, da Argentina, e Sebastián Piñera, do Chile. O presidente da Colômbia, Iván Duque, também se pronunciou. No Brasil, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso também se manifestaram. Nesta segunda, em encontro com apoiadores, Bolsonaro não foi questionado sobre a eleição americana e tampouco mencionou o tema. Na ocasião, o presidente disse que o "setor turístico foi à lona" e perguntou quem mandou "fechar tudo", em referência velada a prefeitos e governadores que decretaram isolamento para evitar a propagação do novo coronavírus. Ele aproveitou o gancho do assunto para pedir aos eleitores que votem no pleito municipal. "Vão ter eleições municipais. Pessoal não dá muita bola para eleição de vereador, prefeito. É importante se preocupar e votar bem. Porque o prefeito, que fechou tudo, se achar que ele fez certo, reeleger ele, se não, mude", comentou o presidente. Bolsonaro também afirmou que fará nova transmissão ao vivo nesta segunda à noite. No sábado (7), dia em que Biden foi declarado vencedor, o mandatário também fez uma live em seu perfil no Facebook, na qual comentou a crise de energia no Amapá e fez propaganda para candidatos que apoia nas eleições municipais. Nada sobre os EUA. O presidente ainda fez publicações em redes sociais depois do anúncio da vitória de Biden, mas nenhuma sobre o tema. Em resposta a mensagens nos perfis da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) e do ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Bolsonaro publicou bandeiras do Brasil. Além do presidente brasileiro, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, e o dirigente da China, Xi Jinping, também não parabenizaram Biden, mas ao menos apresentaram suas justificativas. Também entram na lista dos que preferiram o silêncio o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un.