'Imbrochável', Bolsonaro corre atrás do voto feminino com primeira-dama e tiro no pé

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A demonstrator holds a board that reads
Protesto contra Bolsonaro faz menção a política armamentista em Brasília. Foto: Adriano Machado/Reuters

Jair Bolsonaro provavelmente faz jogo de cena quando afirma não acreditar em institutos de pesquisa. Caso contrário, seria recomendado mudar a percepção e olhar com atenção os números levantados pelo Datafolha a respeito de seu governo e suas obsessões.

O presidente tem a gestão reprovada por 48% dos eleitores. Entre as mulheres, a rejeição chega a 51%.

A taxa de reprovação tem peso considerável nas simulações de voto. Entre as mulheres, Bolsonaro soma apenas 23% das preferências, contra 49% do ex-presidente Lula.

O instituto mostrou que mulheres de todas as faixas de renda se negam a votar no ex-capitão em qualquer circunstância. O índice chega a 60% entre mulheres que ganham até 2 salários mínimos.

Bolsonaro se elegeu em 2018 prometendo distribuir tiro, porra e armas contra quem considera inimigo do país. Foi eleito apesar disso, não por causa da obsessão, como ele imagina.

Segundo o Datafolha, 72% dos brasileiros discordam da ideia, proferida dia sim, outro também, pelo presidente, segundo a qual a sociedade seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência.

Praticamente o mesmo índice (71%) rejeita a facilitação do acesso a armas no país.

O instituto perguntou o que os eleitores achavam da frase “o povo armado jamais será escravizado”, repetida à exaustão pelo presidente ao longo do mandato. Sete em cada dez (69%) disseram discordar da sentença.

É certo que quase um terço da população ainda concorda com ideias do tipo. Isso explica a resiliência do apoio ao candidato à reeleição entre cerca de 30% dos eleitores.

Esse índice não se altera porque Bolsonaro não consegue ampliar seu cercadinho —sobretudo o público feminino. Na questão das armas, por exemplo, 77% das mulheres se dizem contrárias à ampliação do acesso, uma das poucas promessas de campanha que o atual governo conseguiu colocar em prática.

A pauta armamentista é majoritariamente impopular, mas o presidente insiste nela.

Isso explica a dificuldade de crescer nas pesquisas para além de sua base mais fiel de apoio.

Para conseguir a simpatia do público feminino, Bolsonaro, que ensaia refugar nos debates da TV, foi orientado a escalar a primeira-dama para o jogo. Ela se filiou recentemente ao PL, o novo partido da família presidencial, protagonizou uma mensagem no Dia das Mães, participou de encontro da frente evangélica do Congresso e tem acompanhado o marido em agendas públicas.

Em entrevista a um apresentador conhecido por difundir grosserias contra mulheres e ofensas a populações LGBT, ela foi questionada se o marido estava “dando conta em casa” em meio à missão “muito pesada (sic), que é cuidar desse nosso país”.

A primeira-dama pediu, então, permissão ao patriarca antes de responder que ele é “‘imbrochável’, ‘incomível’ e ‘imorrível’” – lembrado uma declaração do próprio presidente diante dos fãs.

A fala provocou risos dos homens da plateia.

Se a ideia era ganhar a simpatia do público que hoje rejeita o maridão, talvez o tiro, esse felizmente em sentido figurado, tenha acertado o próprio olho.

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