Bolsonaro incitou atos para ter "foto política", mas vai precisar de zoom para ter imagem que quer

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SAO PAULO, BRAZIL - SEPTEMBER 07: Supporters of President of Brazil Jair Bolsonaro gather as they wave flags during a demonstration during Brazil's Independence Day at Paulista Avenue on September 07, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Brazilians have taken the streets as they commemorate their Independence Day to show both support and rejection for Jair Bolsonaro's administration. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Na Avenida Paulista, cerca de 125 mil pessoas compareceram ao ato a favor de Jair Bolsonaro (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro trabalhou arduamente para convocar apoiadores para comparecer às ruas no dia 7 de setembro, dia em que o Brasil comemora 199 anos da independência. O esforço, claro, gerou frutos, mas a sensação foi de decepção.

Bolsonaro chegou a falar sobre 2 milhões de pessoas na Avenida Paulista, enquanto pessoas próximas estimavam que pelo menos 1 milhão compareceriam. Segundo Guilherme Amado, colunista do Metrópoles, a PM de São Paulo falou em 125 mil pessoas, o equivalente a 6,25% do esperado pelo presidente.  

Na Esplanada dos Ministérios, o Valor Investe falou em uma estimativa extraoficial de 150 mil pessoas, apenas 5% do que era esperado. 

O presidente da República tentou, a todo custo, dar uma demonstração de força. Bolsonaro e os apoiadores dele não dão credibilidade aos institutos de pesquisa, mas perderam a narrativa: o bolsonarismo, hoje, tem um núcleo duro, que dificilmente mudará de tamanho. Isto quer dizer que os 25% que sempre estiveram com Bolsonaro, provavelmente, continuarão com ele. É o que os institutos de pesquisa mostram e é, também, o que a expressão das ruas mostraram hoje. 

Por outro lado, mesmo decepcionantes, talvez seja um erro dizer que as manifestações "floparam" - termo jovem pra dizer que acabou não dando certo. Bolsonaristas se reuniram em diversas capitais do país e as manifestações foram grandes. Os atos em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília reuniram um número considerável de pessoas. 

Quem se dispôs a ir às ruas queria ouvir o discurso radical e antidemocrático do presidente. Mesmo porque, Bolsonaro não disse nada de novo. Desde o primeiro dia de campanha, ainda como deputado federal, Bolsonaro nunca escondeu o ímpeto golpista e a admiração pela ditadura militar que o Brasil já viveu. Hoje, ouvimos tudo de novo, mas com os alvos mais recentes: Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Bolsonaro segue a linha de diversos populistas ao longo da história, que elegem inimigos para atacar, com o objetivo de radicalizar ainda mais o cenário político e inflamar apoiadores. Antes, Lula e Dilma ocuparam este posto, que agora é dos ministros do STF. 

Principal alvo de Bolsonaro e dos bolsonaristas foi Alexandre de Moraes, ministro do STF (Foto: Gustavo Basso/Yahoo! Notícias)
Principal alvo de Bolsonaro e dos bolsonaristas foi Alexandre de Moraes, ministro do STF (Foto: Gustavo Basso/Yahoo! Notícias)

Cientes de tudo isso, muitos foram apoiar o presidente neste 7 de setembro. São muitas pessoas dispostas a atacar o Supremo Tribunal Federal e ministros da Corte, o que acende um sinal de alerta - ou pelo menos deveria. Se o presidente subiu o tom? Só se for em decibéis, pois o conteúdo não mudou. A vontade de ruptura institucional existe faz algum tempo. 

A foto que Bolsonaro tanto queria, saiu. Ele tem, de fato, apoiadores fiéis que dificilmente de afastarão. O próprio presidente compartilhou orgulhosamente nas redes sociais imagens das manifestações favoráveis a ele. 

Bolsonaro pode até sair do poder - seja preso ou morto, como ele mesmo diz -, mas os efeitos do bolsonarismo continuarão a ser sentidos a longo prazo. Quem esteve nas ruas nesta terça-feira sabe quem é e o que defende Jair Bolsonaro. E concordam com isso. 

Mas, para que as manifestações tivessem os efeitos que Bolsonaro desejava, precisariam de um zoom. O problema para o presidente é que a quantidade de pessoas nas ruas e os números dos institutos de pesquisa indicam que vencer o segundo turno será um desafio maior que o imaginado. 

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