Bolsonaro indica coronel para diretoria da Anvisa

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Brazil's president Jair Bolsonaro arrives to attend the National Flag Raising ceremony in front of Alvorada Palace amid the Coronavirus (COVID-19) pandemic, in Brasilia, Brazil, on Tuesday, October 27, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
A indicação de Bolsonaro ainda precisa ser aprovada pelo Senado. (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro indicou o coronel da reserva Jorge Luiz Kormann para uma diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A indicação precisa ser aprovada pelo Senado. Kormann atualmente é secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde.

Kormann foi indicado para ocupar a vaga que será aberta com a saída de Alessandra Bastos Soares, que ocorrerá em 19 de dezembro. Na terça-feira, durante entrevista coletiva para falar sobre a interrupção dos testes da CoronaVac, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, elogiou Soares, lembrando que ela é a diretora que está há mais tempo na agência.

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No início de maio Kormann foi indicado pelo então ministro da Saúde, Nelson Teich, para ocupar o cargo de Diretor de Programa do ministério. Em junho, já na gestão de Eduardo Pazuello, passou para o cargo atual na pasta.

De acordo com seu currículo publicado na plataforma Lattes, Kormann é bacharel em Ciências Militares e tem mestrado na mesma área e em Aplicações Militares. Ele atuou como assessor de Gestão e Planejamento Estratégico no Hospital Militar de Areá de Porto Alegre.

‘GUERRA DAS VACINAS’

A indicação de Bolsonaro ocorre na mesma semana em que a Anvisa protagonizou um atrito com o governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB).

Na segunda-feira (9), a Anvisa paralisou os estudos clínicos da vacina CoronaVac, a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com laboratório chinês Sinovac Biotech, alegando a ocorrência de um “evento adverso grave” com um voluntário do estudo. A suspensão pegou de surpresa o governo Doria.

Na terça (10), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que era “impossível” a relação entre "evento adverso grave" e com a vacina. Mais tarde, foi revelado que o “evento adverso grave” tratava-se, de acordo com o IML (Instituto Médico Legal), de um suicídio cometido por um voluntário de 33 anos, que integrava o grupo que fazia parte do estudo conduzido pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

A retomada dos testes clínicos foi anunciada pela Anvisa na quarta-feira (11), após quase 48h de paralisação.

A suspensão do estudo foi comemorado por Bolsonaro. Na manhã desta terça-feira (10), o presidente compartilhou a notícia de suspensão pela Anvisa dos testes da vacina Coronavac e disse ter “ganhado” do tucano.

Há tempos, Doria e Bolsonaro travam uma espécie de “guerra das vacinas”, com o tucano defendendo a aplicação obrigatória do imunizante enquanto o presidente comanda um movimento anti-vacinas.

Na avaliação de aliados do presidente, Doria estaria tentando ganhar “capital político” ao encampar a produção de uma vacina contra a Covid-19 e chegaria municiado neste tema em uma eventual disputa pela presidência em 2022 contra Bolsonaro.

Com a paralisação dos testes, nenhum novo voluntário poderá receber a vacina. A ação ocorreu no mesmo dia em que Doria anunciou que 120 mil doses da CoronaVac chegarão ao estado ainda no mês de novembro.