Bolsonaro compara indicação de Eduardo para embaixada à ida ao motel

Redação Notícias
Eduardo Bolsonaro, son of Brazil's President Jair Bolsonaro, listens while Brazil's Foreign Minister Ernesto Araujo (off frame) speaks to reporters after a meeting at the White House August 30, 2019, in Washington, DC. (Photo by Brendan Smialowski / AFP)        (Photo credit should read BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/Getty Images)
Presidente deu ao filho os créditos de um rápido acessa a Trump na última viagem a Washington. (Foto: Brendan Smialowski/AFP/Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ao afirmar que esperaria um pouco para indicar Eduardo, Bolsonaro comparou a uma ida ao motel

  • Presidente também deu os créditos a Eduardo de um rápido acesso a Trump na última semana

O presidente Jair Bolsonaro comparou a oficialização do nome de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como embaixador do Brasil nos Estados Unidos com uma ida ao motel.

A comparação, feita na manhã desta terça-feira (3), surgiu após o presidente afirmar que aguardaria um pouco mais para indicar Eduardo para a sabatina no Senado. O motivo da espera são os possíveis vetos do presidente ao projeto sobre abuso de autoridade, que poderiam tirar apoio de senadores à indicação.

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"Você já namorou? Quanto tempo demorou para levar para o motel? Não é na primeira vez", ressaltou sobre a demora em confirmar a indicação.

Bolsonaro já sinalizou que deve vetar cerca de 20 itens da nova lei, aprovada pelo Congresso. Já a indicação do nome de Eduardo precisa ser aprovada por maioria simples no Senado.

"Ele (Eduardo) vai perder muito apoio com os vetos, vou esperar (a indicação)", disse o presidente, em café da manhã com editores do jornal Folha de S.Paulo, no Palácio do Alvorada.

Sobre uma visita de Eduardo aos EUA, acompanhado do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente deu os créditos para o filho a respeito de um rápido acesso ao presidente Donald Trump, na última sexta (30).

"Com todo o respeito ao Ernesto, o Eduardo esteve agora nos EUA, e o Trump está alinhado conosco", afirmou.

OS VETOS

Questionado sobre quais pontos do projeto serão barrados, Bolsonaro preferiu não detalhá-los. Pelo prazo regimental, o presidente tem até quinta-feira (5) para sancionar a proposta e publicá-la no "Diário Oficial da União".

"[Os vetos] Devem chegar a quase 20. Tem artigo aí que tem que ser mantido porque é bom", disse. "[O anúncio deve ser] De hoje até quinta. Há uma grande chance de anunciar hoje", acrescentou.

O presidente disse que o ministro da Justiça, Sergio Moro, propôs dez vetos ao projeto de lei, dos quais nove já foram acolhidos por ele.

Bolsonaro não quis detalhar que pontos pretende vetar, para que não seja acusado posteriormente pelos veículos de imprensa de ter recuado.

"Eu não vou falar. Se eu falar que é o artigo 30, e amanhã não é, vocês vão falar que eu recuei. Então, eu não vou falar nada disso", afirmou. "[São] Quase 20. Por aí. Senão, vão falar por aí que eu recuei", ressaltou.

Bolsonaro deve vetar, entre outros pontos, o uso de algemas, a detenção de magistrados que determinarem prisão preventiva sem amparo legal e a classificação da abertura de investigação sem indícios de crime como abuso de autoridade.

De acordo com relatos feitos à Folha de S.Paulo, Bolsonaro estaria disposto a também vetar trechos que tratam das prerrogativas dos advogados, em mais um gesto de retaliação à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Um dos artigos torna crime o ato de um juiz ou delegado de violar as prerrogativas de advogados caso eles sejam presos preventivamente. O Estatuto da Advocacia prevê que os defensores só podem ser detidos em salas de Estado-Maior.

Com informações da FolhaPress